Espaço reservado à reflexão sobre questões que nos incomodam e nem sempre tivemos com quem nos aconselhar. Reflete a opinião de quem, embora não seja dono da verdade, se esforça por ser um servo fiel dela. Existe algo que sempre o incomodou e que ainda não encontrou resposta satisfatória? Este é o seu espaço, você poderá perguntar o que quiser e eu lhe direi o que penso, embasado na Bíblia Sagrada. Trazer-lhe a Palavra de Deus e tirar a sua dúvida, ajudando-o (a) a refletir acerca de seu dia-a-dia é o que mais desejo. Você pode usar o espaço "comentários" para enviar suas perguntas ou, se preferir, mande-as via e-mail: pr.sandromarcio@hotmail.com e aguarde a publicação da resposta no blog.
Que Deus nos ajude!

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Por que Jesus deixou Judas Iscariotes Participar da Ceia?


Em 13 de setembro de 2011, o Pr. Durval perguntou:

Irmão uma coisa que muito me intriga e que não sei se terei resposta aqui, é: Por que Jesus Permitiu que Judas Iscariotes tomasse a Santa Ceia?

Caro Pr. Durval,
De fato é intrigante que o Nosso Senhor tenha permitido que um traidor estivesse com ele à mesa, justamente na Santa Ceia, um momento de necessária contrição e consagração. Isto pode até nos levar a pensar: “ora, se Judas Iscariotes pode, então, todo mundo pode participar da Santa Ceia!”.

Contudo, vejamos se é de fato assim.

Lucas 22.
15  E disse-lhes: Tenho desejado ansiosamente comer convosco esta Páscoa, antes do meu sofrimento.
16  Pois vos digo que nunca mais a comerei, até que ela se cumpra no reino de Deus.
17  E, tomando um cálice, havendo dado graças, disse: Recebei e reparti entre vós;
18  pois vos digo que, de agora em diante, não mais beberei do fruto da videira, até que venha o reino de Deus.
19  E, tomando um pão, tendo dado graças, o partiu e lhes deu, dizendo: Isto é o meu corpo oferecido por vós; fazei isto em memória de mim.
20  Semelhantemente, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este é o cálice da nova aliança no meu sangue derramado em favor de vós.
21  Todavia, a mão do traidor está comigo à mesa.
22  Porque o Filho do Homem, na verdade, vai segundo o que está determinado, mas ai daquele por intermédio de quem ele está sendo traído!
23  Então, começaram a indagar entre si quem seria, dentre eles, o que estava para fazer isto.

João 13.
18  Não falo a respeito de todos vós, pois eu conheço aqueles que escolhi; é, antes, para que se cumpra a Escritura: Aquele que come do meu pão levantou contra mim seu calcanhar.
19  Desde já vos digo, antes que aconteça, para que, quando acontecer, creiais que EU SOU.
20  Em verdade, em verdade vos digo: quem recebe aquele que eu enviar, a mim me recebe; e quem me recebe recebe aquele que me enviou.
21  Ditas estas coisas, angustiou-se Jesus em espírito e afirmou: Em verdade, em verdade vos digo que um dentre vós me trairá.
22  Então, os discípulos olharam uns para os outros, sem saber a quem ele se referia.
23  Ora, ali estava conchegado a Jesus um dos seus discípulos, aquele a quem ele amava;
24  a esse fez Simão Pedro sinal, dizendo-lhe: Pergunta a quem ele se refere.
25  Então, aquele discípulo, reclinando-se sobre o peito de Jesus, perguntou-lhe: Senhor, quem é?
26  Respondeu Jesus: É aquele a quem eu der o pedaço de pão molhado. Tomou, pois, um pedaço de pão e, tendo-o molhado, deu-o a Judas, filho de Simão Iscariotes.
27  E, após o bocado, imediatamente, entrou nele Satanás. Então, disse Jesus: O que pretendes fazer, faze-o depressa.

Como vimos nestes textos, Judas Iscariotes participou sim da Santa Ceia!

Então assim como Judas Iscariotes, todos podem participar da Ceia do Senhor?


Não! Vamos com calma! É importante que se diga que, embora isto tenha acontecido com o conhecimento e o consentimento do Senhor; todavia, ocorreu sem que os demais discípulos houvessem entendido que ele seria o traidor, mesmo que Jesus os tenha alertado.

Devemos nos lembrar que a traição de Judas ainda não havia se consumado, e só Jesus podia saber com certeza, pois Cristo é o Deus Filho!

Algo assim pode ocorrer em nossos dias, de alguém tomar a Santa Ceia de forma indigna, sem que a Igreja saiba de seu pecado.

Para evitar isto o apóstolo Paulo escreveu, ensinando sobre a Ceia e apelando para a consciência de cada um:

23 Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão;
24  e, tendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim.
25  Por semelhante modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim.
26  Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha.
27  Por isso, aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor.
28  Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e, assim, coma do pão, e beba do cálice;
29  pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si.
30  Eis a razão por que há entre vós muitos fracos e doentes e não poucos que dormem.
31  Porque, se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados.
32  Mas, quando julgados, somos disciplinados pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo.

Perceba a relação que há entre a Santa Ceia e a traição de Judas (na noite em que foi traído), demonstrada nas expressões “aquele que comer ou beber o cálice do Senhor indignamente é réu do corpo e do sangue do Senhor” e  “quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si”. Sim, todo aquele que conhecendo o Senhor, deliberadamente vive em pecado, não se importando sequer com a consagração exigidas especialmente na Santa Ceia, age como um Judas, trai o Senhor que morreu para salvar os pecadores!
Veja bem, embora isto seja assim, não deve ser encarado como motivo para o crente abandonar a prática do sacramento e sim para abandonar o pecado que o impede de tomá-lo. Pois, como preceitua a nossa Confissão de Fé de Westminster, em seu capítulo XXII, acerca do sacramento da Santa Ceia:

VIII. Ainda que os ignorantes e os ímpios recebam os elementos visíveis deste sacramento, não
recebem a coisa por eles significada, mas, pela sua indigna participação, tornam-se réus do corpo e
do sangue do Senhor para a sua própria condenação; portanto eles como são indignos de gozar
comunhão com o Senhor, são também indignos da sua mesa, e não podem, sem grande pecado
contra Cristo, participar destes santos mistérios nem a eles ser admitidos, enquanto permanecerem
nesse estado.
Ref. I Cor. 11:27, 29, e 10:21; II Cor. 6:14-16; I Cor. 5:6-7, 13; II Tess. 3:6, 14-15; Mat. 7:6.


Entendemos que Paulo apela à consciência do crente naquilo em que apenas ele ou poucos sabem sobre seu pecado para que NÃO TOME A CEIA INDIGNAMENTE. Contudo, quando este pecado é do conhecimento da igreja e passível de disciplina eclesiástica, cabe aos pastores e presbíteros afastar o irmão rebelde, para que não tome a louca atitude de ofender a Cristo com sua participação na Ceia, sem ter a sua vida restaurada segundo a Palavra de Deus!

Confira: 

2 Coríntios 2.
5  Ora, se alguém causou tristeza, não o fez apenas a mim, mas, para que eu não seja demasiadamente áspero, digo que em parte a todos vós;
6  basta-lhe a punição pela maioria.

1 Timóteo 5.
20  Quanto aos que vivem no pecado, repreende-os na presença de todos, para que também os demais temam.

Tito 3.
10  Evita o homem faccioso, depois de admoestá-lo primeira e segunda vez,
11  pois sabes que tal pessoa está pervertida, e vive pecando, e por si mesma está condenada.

Romanos 16.
17 ¶ Rogo-vos, irmãos, que noteis bem aqueles que provocam divisões e escândalos, em desacordo com a doutrina que aprendestes; afastai-vos deles,
18  porque esses tais não servem a Cristo, nosso Senhor, e sim a seu próprio ventre; e, com suaves palavras e lisonjas, enganam o coração dos incautos.

2 João 9.
9  Todo aquele que ultrapassa a doutrina de Cristo e nela não permanece não tem Deus; o que permanece na doutrina, esse tem tanto o Pai como o Filho.
10 Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem lhe deis as boas-vindas.
11  Porquanto aquele que lhe dá boas-vindas faz-se cúmplice das suas obras más.

Na história da Igreja Cristã, temos o exemplo do apóstolo João, contado por seu discípulo Policarpo por volta de 130 dC e preservado por Irineu, que demonstra o zelo do apóstolo em sair às pressas de um banheiro público, para evitar a companhia de Cerinto, o herege.  

Assim, respondo à pergunta reconhecendo que não podemos afirmar, sem sombra de dúvidas, o que pensava o Nosso Senhor ao permitir a participação de Judas Iscariotes na Santa Ceia, mas inferir que serviu ele de modelo a tantos quantos mantém uma vida secreta de pecados, mesmo dentro da Igreja, participando dos cultos e dos sacramentos do Batismo e da Santa Ceia, alertando para o triste fim reservado para tal proceder.

E isto, de modo algum, excetua a liderança da Igreja de zelar pela fidelidade, pureza e ordem da Casa e do povo de Deus, mediante os meios e processos adequados à Escritura Sagrada!

Em Cristo,

Pr, Sandro Márcio

PS. Para melhor compreensão da Disciplina Eclesiástica na Igreja Presbiteriana do Brasil, insiro aqui os três primeiros capítulos de nosso Código de Disciplina:

CÓDIGO DE DISCIPLINA - CAPÍTULO I - NATUREZA E FINALIDADE - Art.1º - A Igreja reconhece o foro íntimo da consciência, que escapa à sua jurisdição, e da qual só Deus é Juiz; mas reconhece também o foro externo que está sujeito à sua vigilância e observação. Art.2º - Disciplina eclesiástica é o exercício da jurisdição espiritual da Igreja sobre seus membros, aplicada de acordo com a Palavra de Deus.
Parágrafo Único - Toda disciplina visa edificar o povo de Deus, corrigir escândalos, erros ou faltas, promover a honra de Deus, a glória de Nosso Senhor Jesus Cristo e o próprio bem dos culpados. Art.3º - Os membros não-comungantes e outros menores, sob a guarda de pessoas crentes, recebem os cuidados espirituais da Igreja, mas ficam sob a responsabilidade direta e imediata das referidas pessoas, que devem zelar por sua vida física, intelectual, moral e espiritual.
CAPÍTULO II - FALTAS - Art.4º - Falta é tudo que, na doutrina e prática dos membros e concílios da Igreja, não esteja de conformidade com os ensinos da Sagrada Escritura, ou transgrida e prejudique a paz, a unidade, a pureza, a ordem e a boa administração da comunidade cristã. Parágrafo Único - Nenhum tribunal eclesiástico poderá considerar como falta, ou admitir como matéria de acusação aquilo que não possa ser provado como tal pela Escritura, segundo a interpretação dos Símbolos da Igreja (Cons., Art.1º). Art.5º - A omissão dos deveres constantes do Art.3º constitui falta passível de pena. Art.6º - As faltas são de ação ou de omissão, isto é, a prática de atos pecaminosos ou a abstenção de deveres cristãos; ou, ainda, a situação ilícita. Parágrafo Único - As faltas são pessoais se atingem a indivíduos; gerais, se atingem a coletividade; públicas, se fazem notórias; veladas quando desconhecidas da comunidade. Art.7º - Os concílios incidem em falta quando: a) tomam qualquer decisão doutrinária ou constitucional que flagrantemente aberra dos princípios fundamentais adotados pela Igreja; b) procedem com evidente injustiça, desrespeitando disposição processual de importância, ou aplicando pena em manifesta desproporção com a falta; c) são deliberadamente contumazes, na desobediência às observações que, sem caráter disciplinar, o Concílio superior fizer no exame periódico do livro de atas; d) se tornam dessidiosos no cumprimento de seus deveres, comprometendo o prestígio da Igreja ou a boa ordem do trabalho; e) adotam qualquer medida comprometedora da paz, unidade, pureza e progresso da Igreja.
CAPÍTULO III - PENALIDADES - Art.8º - Não haverá pena, sem que haja sentença eclesiástica, proferida por um Concílio competente, após processo regular. Art.9º - Os Concílios só podem aplicar a pena de:
a) Admoestação, que consiste em chamar à ordem o culpado, verbalmente ou por escrito, de modo reservado, exortando-o a corrigir-se; b) Afastamento, que em referência aos membros da Igreja, consiste em serem impedidos de comunhão; em referência, porém, aos oficiais consiste em serem impedidos do exercício do seu ofício e, se for o caso, da comunhão da Igreja. O afastamento deve dar-se quando o crédito da religião, a honra de Cristo e o bem do faltoso o exigem, mesmo depois de ter dado satisfação ao tribunal. Aplica-se por tempo indeterminado, até o faltoso dar prova do seu arrependimento, ou até que a sua conduta mostre a necessidade de lhe ser imposta outra pena mais severa; c) Exclusão, que consiste em eliminar o faltoso da comunhão da Igreja. Esta pena só pode ser imposta quando o faltoso se mostra incorrigível e contumaz;
d) Deposição é a destituição de ministro, presbítero ou diácono de seu ofício. Art.10 - Os Concílios superiores só podem aplicar aos inferiores as seguintes penas: repreensão, interdição e dissolução; a) Repreensão é a reprovação formal de faltas ou irregularidades com ordem terminante de serem corrigidas; b) Interdição é a pena que determina a privação temporária das atividades do Concílio; c) Dissolução é a pena que extingue o Concílio. § 1º - No caso de interdição ou disso interdição ou dissolução do Conselho ou Presbitério deverá haver recurso de ofício para o Concílio imediatamente superior. § 2º - As penas aplicadas a um Concílio não atingem individualmente seus membros, cuja responsabilidade pessoal poderá ser apurada pelos Concílios competentes. § 3º - É facultado a qualquer dos membros do Concílio interditado ou dissolvido recorrer da decisão para o Concílio imediatamente superior àquele que proferiu a sentença. Art.11 - Aplicadas as penas previstas nas alíneas “b” e “c” do Artigo anterior, o Concílio superior, por sua Comissão Executiva, tomará as necessárias providências para o prosseguimento dos trabalhos afetos ao Concílio disciplinado. Art.12 – No julgamento dos Concílios, devem ser observadas no que lhes for aplicável, as disposições gerais do processo adotadas nesta Constituição. Art.13 - As penas devem ser proporcionais às faltas, atendendo-se, não obstante, às circunstâncias atenuantes e agravantes, a juízo do tribunal, bem como à graduação estabelecida nos Artigos 9 e 10. § 1º - São atenuantes: a) pouca experiência religiosa; b) relativa ignorância das doutrinas evangélicas; c) influência do meio; d) bom comportamento anterior; e) assiduidade nos serviços divinos; f) colaboração nas atividades da Igreja; g) humildade; h) desejo manifesto de corrigir-se; i) ausência de más intenções; j) confissão voluntária. § 2º - São agravantes: a) experiência religiosa; b) relativo conhecimento das doutrinas evangélicas; c) boa influência do meio; d) maus precedentes; e) ausência aos cultos; f) arrogância e desobediência; g) não reconhecimento da falta. Art.14 - Os Concílios devem dar ciência aos culpados das penas impostas: a) Por faltas veladas, perante o tribunal ou em particular; b) Por faltas públicas, casos em que, além da ciência pessoal, dar-se-á conhecimento à Igreja. Parágrafo Único - No caso de disciplina de ministro dar-se-á, também, imediata ciência da pena à Secretaria Executiva do Supremo
Concílio. Art.15 - Toda e qualquer pena deve ser aplicada com prudência, discrição e caridade, a fim de despertar arrependimento no culpado e simpatia da Igreja. Art.16 - Nenhuma sentença será proferida sem que tenha sido assegurado ao acusado o direito de defender-se. Parágrafo Único - Quando forem graves e notórios os fatos articulados contra o acusado, poderá ele, preventivamente, a juízo do tribunal, ser afastado dos privilégios da Igreja e, tratando-se de oficial, também do exercício do cargo, até que se apure definitivamente a verdade. Art.17 - Só se poderá instaurar processo dentro do período de um ano a contar da ciência da falta. Parágrafo Único - Após dois anos da ocorrência da falta, em hipótese alguma se instaurará processo.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Por que batizamos nossas crianças?


O Pb. Carlos Alberto solicitou:
Caro Pr. Sandro, discorra sobre a validade do batismo infantil!

Amado irmão e Pb. Carlos, de forma breve vou pontuar acerca do fundamento bíblico e teológico para batizarmos os filhos dos crentes.


“Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século”. Mateus 28. 18-20
“Ora, se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e é pior do que o descrente”. I Tm 5:8

Para que entendamos o batismo cristão, e o batismo infantil como sua expressão legítima, não podemos perder de vista o seu verdadeiro significado; pois, como dizia o Rev. João Calvino:  “Em primeiro lugar, é doutrina em que todos os fiéis estão de acordo, que  a devida consideração dos sinais ou sacramentos que o Senhor instituiu em sua Igreja, não consiste somente no exterior nem nas cerimônias visíveis, senão que principalmente depende das promessas e mistérios espirituais que o Senhor quis representar  com tais cerimônias. Deste modo, aquele que quiser saber o significado do batismo e a que fim está destinado, não deve deter-se meramente na água e nas cerimônias exteriores, mas deve considerar às promessas de Deus , que se nos fazem no Batismo, e as realidades espirituais que nele se nos representam. Se chegarmos a isto teremos a verdadeira substância e verdade do Batismo; e assim teremos a compreensão do fim para o qual tem sido ordenada a aspersão da água que é feita no Batismo, e para que isto nos serve. Se, todavia, não tivermos isto presente, e nosso entendimento se detém exclusiva e unicamente no que exteriormente se executa, jamais compreenderemos sua virtude, nem quão importante coisa é o batismo, nem o que significa a água, e nem mesmo qual é o seu uso.”.
            Deste modo, o batismo é o sinal e a confirmação da entrada do indivíduo na Igreja, como comunidade da aliança com Deus. O batismo com água representa a nossa inserção ao povo do pacto; assim como foi com a circuncisão no antigo Israel, é agora com o batismo no Novo Israel de Deus, a Igreja Cristã; e isto está em perfeita sintonia com o pastor Zuínglio, quando dizia que “o batismo infantil  era um fato essencialmente eclesiástico”.  Com o batismo, assumimos os menores, filhos dos crentes (e crianças em sua guarda) como crentes também. Damos-lhes a educação e o tratamento de legítimos membros da família da aliança, ensinando-lhes as verdades e as responsabilidades do verdadeiro compromisso com Deus; enquanto rogamos a Deus que, por sua obra interna, produza neles os frutos de uma nova vida, que serão visíveis na idade da razão, e posteriormente confirmados em sua pública profissão de fé. Graças ao bom Deus inúmeras vezes temos colhido semelhantes resultados. E quando não ocorre a profissão de fé do adulto que foi batizado na infância, é este automaticamente excluído do rol de membros menores, devendo ser acompanhado de perto pela igreja, com as orações de que a semente plantada na infância venha um dia, finalmente a florescer.
Para aqueles que exigem um texto bíblico que ordene explicitamente o batismo infantil, devolvemos a obrigação de apresentar o fundamento que os crentes atuais têm para não contemplar as crianças como corpo de Cristo; será que apenas a Antiga Aliança é que prezava os pequeninos como parte integrante do povo de Deus?
Todavia, alguns objetam citando Marcos 16.15. “Quem crer e for batizado será salvo”, dizendo que sem fé não pode haver batismo; mas esquecem que este texto nem de longe tenta tratar acerca do batismo infantil, seja condenando-o ou ratificando-o. Pois, se este fosse o caso, como trataríamos o final: “e quem não crer será condenado”? A criança que ainda não pode crer está condenada? Creio que semelhante sentença só poderia ser dada pelo Senhor Jesus; mas ele, muito ao contrário, ao se referir às crianças que eram levadas pelos pais crentes à sua presença disse: “dos tais é o reino dos céus” (Lc. 18.16). Todavia este mesmo texto é citado pelos anti-pedobatistas, como que a perguntar: se as crianças devem ser batizadas, não seria aquele o melhor momento de fazê-lo? Por que não se diz que Jesus as tenha batizado, apenas que elas foram apresentadas a Jesus, como é feito na igrejas batistas de todo o mundo. Entretanto, mais uma vez, o silêncio não serve nem para provar que aquelas crianças foram e nem para dizer que não foram anteriormente batizadas juntamente com seus pais; contudo, despreza-se um ponto importantíssimo do texto, pois,  Jesus disse daquelas crianças que elas já possuíam a cidadania do reino de Deus, e como o batismo com água é apenas a representação visível desta realidade, e tendo elas a realidade garantida por Jesus, a figura, que é elemento secundário diante da realidade, não lhes pode ser negada.
E, quanto à fé, como elemento instrumental da salvação, podemos dizer que em muitos pontos da Escritura encontramos a inserção das crianças, antes mesmo que pudessem crer, vemos que a ação de Deus antecipa-se e ocasiona a resposta positiva do homem, de tal modo que pela soberania divina, até mesmo crianças ainda não nascidas já são dadas como regeneradas, como foi o caso de João Batista, que era cheio do Espírito Santo desde o ventre materno, e de lá já se regozijava com a proximidade do Filho de Deus (cf. Lc. 3). Este foi também o caso de Sansão e Samuel, que, como nazireus de Deus, foram especialmente dedicados ao Senhor por seus pais, desde o ventre materno, para não apenas serem tomados pelo Espírito Santo para uma obra, e sim para todo o desenrolar de sua vida, onde, a despeito de suas falhas e pecados, completaram brilhantemente a obra à qual foram chamados. Alguém pode replicar que foram casos especiais; e de fato, foram casos especiais como Isaque, Moisés, Davi, Jeremias, Timóteo e tantos outros, do Antigo e do Novo Testamento, dos quais a Bíblia nada fala de conversão, e reconhecemos que eles carregaram em sua carne e honraram o sinal do compromisso de sua família com Deus, pois eram de fato e de verdade filhos de Abraão. Embora não possamos dizer que isso se dê com todas as crianças, e nem mesmo com todos os filhos de crentes, mas demonstramos que não há impedimento algum de Deus regenerar e salvar aqueles a quem quer, mesmo que estejam ainda impossibilitados de entender ou de exercer fé. É, realmente, uma grande bênção, e um favor especial da parte de Deus, manifestar-se graciosamente aos filhos de seus filhos, e quão terno e sublime é ouvir o nosso filhinho dizer suas primeiras palavras e suas primeiras orações.
Não se trata de afirmar aqui, como querem alguns, que todo o filho de crente tem a sua salvação garantida. E, infelizmente há os que citam Atos 2.39, como se tal coisa fosse promessa de Deus; mas vejamos:
“Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos e para todos os que ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar”.
É evidente aqui o compromisso de Deus com as futuras gerações, inclusive com o vasto números de crentes que o Senhor suscita nos lares cristãos, mas ainda fica saliente o fato de que Deus se reserva o direito de chamar quem lhe apraz, pois, do contrário, seríamos levados a defender a doutrina universalista, uma vez que todos descendemos do justo Noé; contudo, diz a Escritura:
“tão certo como eu vivo, diz o SENHOR Deus, ainda que Noé, Daniel e Jó estivessem no meio dela, não salvariam nem a seu filho nem a sua filha; pela sua justiça salvariam apenas a sua própria vida”. Ezequiel 14:20
Também não podemos esquecer de outros exemplos de filhos que até em seus últimos momentos contradisseram os ensinamentos de seus pais, como Absalão filho de Davi, que morreu tentando matar o pai (2 Sm. 15 - 18), e o idólatra e infanticida Acaz, filho de Jotão e neto de Uzias (2 Reis 16), entre outros; tipos aos quais bem se aplica a pregação de João Batista: “e não comeceis a dizer entre vós mesmos: Temos por pai a Abraão, pois eu vos afirmo que destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão” (João 3.8). E não nos surpreendamos que acerca de muitos destes pode bem ter sido dirigida a exclamação do apóstolo João: “Eles saíram de nosso meio, mas não eram dos nossos; porque, se tivessem sido dos nossos teriam permanecido conosco; todavia eles se foram para que ficasse manifesto  que   nenhum deles eram dos nossos” (I João 2. 19). E isto não se observa apenas no passado, pois, com tristeza temos visto se cumprirem em alguns lares cristãos as palavras de  Jesus “...os inimigos do homem serão os da sua própria casa” (Mt. 10.36).
Mas então, o que dizer da promessa feita à posteridade de Abraão?
Leia com atenção:
 “E não pensemos que a palavra de Deus haja falhado, porque nem todos os de Israel são, de fato, israelitas;  nem por serem descendentes de Abraão são todos seus filhos; mas: Em Isaque será chamada a tua descendência”. Romanos 9:6, 7
E ainda:
“Essa é a razão por que provém da fé, para que seja segundo a graça, a fim de que seja firme a promessa para toda a descendência, não somente ao que está no regime da lei, mas também ao que é da fé que teve Abraão (porque Abraão é pai de todos nós” (Romanos 4:16).

Sejamos sinceros em reconhecer que a Igreja batiza aos adultos e administra a Ceia do Senhor, sem ter jamais a prova total de que os participantes são verdadeiros crentes. Ser circuncidado ou batizado não conferia e nem confere salvação a ninguém, seja aos antigos israelitas ou prosélitos, ou aos crentes modernos,  mas expõe diante de todos o compromisso de fé e obediência ao eterno e único Deus que salva.


Mas, se o batismo não assegura a salvação; então por que batizar?

Para que a Igreja visível seja coerente com sua missão de reconciliação do homem com Deus, a começar daqueles que o Senhor tem feito nascer em seu arraial, identificando-os, não como anjinhos, mas como pecadores diante de um Deus gracioso, que os chama para a fé e a obediência em Jesus, para que falemos como Josué: Eu e a minha casa serviremos ao Senhor! Ora, se não crermos no poder da palavra de Deus em nossos lares, com que ânimo a pregaremos ao mundo?
Assim, da relação direta entre circuncisão e batismo; da aliança eterna de Deus com seu povo e da confiança que isto nos inspira, num estudo sincero e dedicado da Palavra de Deus, podemos assegurar que toda criança nascida no seio da Igreja, carrega desde cedo o compromisso de servir e amar a Deus.
Não se trata de nenhum tipo de transmissão física da fé, mas da aplicação da regra geral expressa em Provérbios 22:6: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele”.
Não temos certeza se todos os batizados são ou serão verdadeiros crentes, não temos conhecimento do coração de cada um, mas temos o dever de tratar a todos como membros legalmente inseridos na Igreja visível, sujeitos aos privilégios e obrigações decorrentes do pacto.
Os pais crentes, bem como toda a Igreja, são responsáveis por desenvolver e solidificar este entendimento na mente da criança. E, neste ponto temos visto um fragrante desrespeito à aliança, pois muitos pais tem relegado o ensino cristão à igreja, e há igrejas que não tem dado suficiente atenção ao departamento infantil, que em certos casos funciona como entretenimento aos pequenos, enquanto seus pais participam do culto no templo.
Nestes casos, tem havido um grande distanciamento entre pais e filhos, ao ponto de, em chegando a idade, estes últimos se “assustem” com o culto adulto, sua seriedade, seu compromisso, sua solenidade.
Não se trata aqui, em absoluto, de se lutar por um culto menos solene, mais agradável, pois julgo que este tem sido o caminhar de muitos em nossos dias, e que a ênfase ao lazer e ao sentir-se bem já tem ceifado muito do que em outros tempos nosso Senhor falou acerca do “negar-se a si mesmo” e de buscar a “glória de Deus”.
A isto se soma a falta do ensino da teologia da aliança aos filhos dos crentes; que, em muitos casos são “evangelizados” e convidados a aceitarem a Jesus, em completa  desconsideração ao compromisso que a criança crente já nutre com o Senhor Jesus, desde a mais tenra infância, como se reputasse em pouco ou nada o fato da Providência ter lhe dado um berço cristão. Tem-se falado acerca de “aceitar Jesus como seu salvador”, e pouco se têm dito do direito que o Senhor desde o seu nascimento tem sobre sua vida e os deveres que isto lhe acarreta.
Uma vez entendido o antigo rito  da circuncisão, e o batismo como seu correspondente neo-testamentário, vale lembrar que não se perguntava ao israelita se ele aceitava a Deus como seu Senhor, antes apontava-lhe as bênçãos do pacto e as maldições decorrentes de sua quebra. Do mesmo modo, devem os pais crentes ensinar seus filhos a amar e respeitar o seu Deus como o Deus deles, o seu Senhor como o Senhor deles.  “Ensina a criança no caminho em que deve andar”! Fiz questão de enfatizar, DEVE andar; para a criança é uma questão de dever antes que de uma escolha pessoal, ainda mais importante do que tomar banho, dormir na hora certa ou ir à escola é um compromisso da família cristã com Deus e a Sua Igreja!
Devem assim, os pais, além de trazerem fielmente os filhos ao batismo e aos trabalhos religiosos, lembrar-se que é no lar que a criança aprende aquela lição tão difícil chamada vida cristã, que reconhecerá, no modo como os pais a tratam, cuidam e corrigem; nos momentos de tensão; quando a necessidade parece ser bem maior que a possibilidade; quando o pastor e os irmãos da igreja não estiverem por perto.
Além disso, é o momento de a igreja, se ainda não fez, compreender que o batismo infantil é mais do que um pacto entre Deus, os pais e as crianças, é também um compromisso que a igreja assume de bem receber, cuidar, amparar e ensinar os pequeninos. É preciso considerar se estamos tornando o evangelho acessível às crianças, é preciso que elas aprendam a grande diferença que há entre as histórias bíblicas e verídicas da travessia do mar vermelho, da luta de Davi com Golias, dos milagres de Jesus, etc. e as tantas fábulas dos livros infantis. Lembremo-nos do famoso reformador Martinho Lutero que ensinava que o sermão não devia ser expresso em jargões teológicos, mas na linguagem clara e viva do povo: “ Não prego para os doutores Pomerano, Jonas e Filipe’, mas para os meus pequenos Hans e Elizabeth”.
Não pode ser que estejamos tão interessados em trazer os de fora que não vejamos como os nossos filhos necessitam desde cedo do evangelho. E nada, asseguro, nem jogos, nem festivais, nem atividades, poderão segurá-los legitimamente na igreja a não ser a correta compreensão da graça salvadora, revelada de maneira toda especial na família cristã.
Assim, deve-se facilitar à criança o entendimento que a igreja e a mensagem de Deus é tão sua quanto de seus pais.
Teve este trabalho a função primordial de esclarecer que nem todo o batizado é salvo, mas, até que se prove o contrário, devemos considerá-lo como tal, todavia, e antes de tudo, todo o nascido na comunidade da aliança deve ser batizado pois se encontra em relação pactual com Deus, sendo imbuído de todos os deveres e privilégios advindos da aliança. Assim, não é bom pai o crente, e nem bom crente o pai, que não vê em seu filho um discípulo de Cristo.
“Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século”. Mateus 28. 18-20
“Ora, se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e é pior do que o descrente”. I Tm 5:8
Tudo isto deve ser entendido, ao trazermos nossos pequenos ao batismo, que é um sinal da aliança de Deus conosco e com nossa família, uma aliança para toda a Igreja e para toda a vida. Mas, caso uma voz persista em dizer que o batismo jamais pode causar ou garantir a salvação de alguém, quanto mais de recém nascidos, no intuito de torná-lo mera e dispensável cerimônia, devemos,  com veemência insistir que nada do que o Senhor tem ordenado pode ser considerado desprezível ou sem sentido, pois se Ele quis marcar como seus os infantes do Antigo e do Novo Israel, alegremo-nos e cumpramos o Seu bendito querer.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

É Certo Vender Produtos na Igreja?

Esta pergunta é parte do assunto tratado no CompartChat da rádio IPB (www.ipb.org.br/radio) em 02/08/2011. Aqui estendo minhas considerações, com vistas a um tratamento mais detalhado.

Pergunta:

De acordo com

Mateus 21:12-13 “Tendo Jesus entrado no templo, expulsou todos os que ali vendiam e compravam; também derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas. E disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; vós, porém, a transformais em covil de salteadores.”

É errado fazer cantina e venda de produtos na igreja?


Resposta:

De início é preciso que se faça a devida distinção quanto ao  alvo da presente resposta. Não estamos aqui discutindo acerca de absurdos como  “carnê de bênçãos”, o tamanho da oração do pastor ou das bênçãos prometidas condicionados ao tamanho das ofertas, e a venda de amuletos e “objetos de poder” ou o torto conceito do dinheiro como “semente de bênçãos”.
Cremos e esperamos que a igreja de Cristo facilmente reconheça a ganância envolvida nestas práticas.
Um único versículo é suficiente para tratar de coisas semelhantes a essas:

Atos 8.20  Pedro, porém, lhe respondeu: O teu dinheiro seja contigo para perdição, pois julgaste adquirir, por meio dele, o dom de Deus.

Para maiores detalhes recomendo:

O que nos interessa no presente estudo é algo bem diferente, é acerca da validade e a fidelidade bíblica de uma prática corriqueira em muitas de nossas igrejas: os bazares, cantinas e outras formas de comércio, com vistas à manutenção da igreja e apoio à causas emergenciais. Esta prática já está tão arraigada no coração de muitos que o mínimo questionamento já lhes parece ofensivo!
Afinal é indiscutível a alegria, o congraçamento e o animado e envolvente trabalho das senhoras da igreja, levantando recursos para as nobres causas cristãs.  Por que então mexer com o que está indo tão bem?

Apesar da boa vontade, intenção e sinceridade daqueles que organizam esses trabalhos na igreja, creio mesmo que involuntariamente, nos impedem de conhecer o modo como Deus deseja que seu povo se conduza.

Não cabe aqui fazermos leis para quem quer que seja, e sim orientar acerca das coisas mais excelentes reveladas na Escritura Sagrada, pois ela, e só ela é a nossa infalível regra de fé e de prática.

Leiamos:
“Roubará o homem a Deus? Todavia, vós me roubais e dizei: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas. Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me roubais, vós, a nação toda. Trazei todos os dízimos à casa do Tesouro, para que haja mantimento na minha casa; e provai-me nisto, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu e não derramar sobre vós bênção sem medida” Ml 3. 8-10

“Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; por que Deus ama a quem dá com alegria” 2 Co 9. 7


Os textos citados nos revelam a vontade de Deus quanto ao modo como deseja amparar os necessitados, bem como sustentar e abençoar a sua Igreja; isto é, HAVENDO FIDELIDADE NOS DÍZIMOS E OFERTAS JAMAIS PRECISAREMOS DE OUTRO EXPEDIENTE PARA ARRECADAÇÃO DE RECURSOS PARA A IGREJA.
A Bíblia nada fala sobre bazares, cantinas, bingos, “restaurantes”, etc, e sim sobre fidelidade nos dízimos e nas ofertas!

Quando Deus mandou que os israelitas fizessem o tabernáculo e todos os preciosos instrumentos de adoração, o que foi feito? Uma campanha movida por vendas, cantinas e bazares?
Não! Deus conclamou o seu povo para que voluntariamente ofertasse!
Êxodo 25
1 Disse o SENHOR a Moisés:
2 Fala aos filhos de Israel que me tragam oferta; de todo homem cujo coração o mover para isso, dele recebereis a minha oferta.


Quando Davi precisava de grande soma de bens e materiais para que seu filho Salomão construísse o templo, o que ele fez? Incentivou alguma forma de comércio na igreja para conseguir os recursos necessários à construção?
Não! Voluntariamente ele deu de seus bens e conclamou ao povo que fizesse o mesmo!
Confiram:
ICrônicas 29.
1 Disse mais o rei Davi a toda a congregação: Salomão, meu filho, o único a quem Deus escolheu, é ainda moço e inexperiente, e esta obra é grande; porque o palácio não é para homens, mas para o SENHOR Deus.
2 Eu, pois, com todas as minhas forças já preparei para a casa de meu Deus ouro para as obras de ouro, prata para as de prata, bronze para as de bronze, ferro para as de ferro e madeira para as de madeira; pedras de ônix, pedras de engaste, pedras de várias cores, de mosaicos e toda sorte de pedras preciosas, e mármore, e tudo em abundância.
3 E ainda, porque amo a casa de meu Deus, o ouro e a prata particulares que tenho dou para a casa de meu Deus, afora tudo quanto preparei para o santuário:
4 três mil talentos de ouro, do ouro de Ofir, e sete mil talentos de prata purificada, para cobrir as paredes das casas;
5 ouro para os objetos de ouro e prata para os de prata, e para toda obra de mão dos artífices. Quem, pois, está disposto, hoje, a trazer ofertas liberalmente ao SENHOR?
6 Então, os chefes das famílias, os príncipes das tribos de Israel, os capitães de mil e os de cem e até os intendentes sobre as empresas do rei voluntariamente contribuíram
7 e deram para o serviço da Casa de Deus cinco mil talentos de ouro, dez mil daricos, dez mil talentos de prata, dezoito mil talentos de bronze e cem mil talentos de ferro.
8 Os que possuíam pedras preciosas as trouxeram para o tesouro da Casa do SENHOR, a cargo de Jeiel, o gersonita.
9 O povo se alegrou com tudo o que se fez voluntariamente; porque de coração íntegro deram eles liberalmente ao SENHOR; também o rei Davi se alegrou com grande júbilo.

17 Bem sei, meu Deus, que tu provas os corações e que da sinceridade te agradas; eu também, na sinceridade de meu coração, dei voluntariamente todas estas coisas; acabo de ver com alegria que o teu povo, que se acha aqui, te faz ofertas voluntariamente.
18 SENHOR, Deus de nossos pais Abraão, Isaque e Israel, conserva para sempre no coração do teu povo estas disposições e pensamentos, inclina-lhe o coração para contigo;
19 e a Salomão, meu filho, dá coração íntegro para guardar os teus mandamentos, os teus testemunhos e os teus estatutos, fazendo tudo para edificar este palácio para o qual providenciei.
20 Então, disse Davi a toda a congregação: Agora, louvai o SENHOR, vosso Deus. Então, toda a congregação louvou ao SENHOR, Deus de seus pais; todos inclinaram a cabeça, adoraram o SENHOR e se prostraram perante o rei.

E Jesus, certamente aquele que nos dá o exemplo do que é melhor, o que fez?
Vejamos:
Mateus 14.
15  Ao cair da tarde, vieram os discípulos a Jesus e lhe disseram: O lugar é deserto, e vai adiantada a hora; despede, pois, as multidões para que, indo pelas aldeias, comprem para si o que comer.
16  Jesus, porém, lhes disse: Não precisam retirar-se; dai-lhes, vós mesmos, de comer.
17  Mas eles responderam: Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes.
18  Então, ele disse: Trazei-mos.
19  E, tendo mandado que a multidão se assentasse sobre a relva, tomando os cinco pães e os dois peixes, erguendo os olhos ao céu, os abençoou. Depois, tendo partido os pães, deu-os aos discípulos, e estes, às multidões.
20  Todos comeram e se fartaram; e dos pedaços que sobejaram recolheram ainda doze cestos cheios.
21  E os que comeram foram cerca de cinco mil homens, além de mulheres e crianças.

O que vemos aqui? Jesus aproveitando a oportunidade para vender sanduíches baratinhos para a multidão? Quanto dinheiro não poderia arrecadar se ele vendesse a R$ 1,00 a unidade? Ou mesmo a R$0,50? Por que Ele não teve essa grande idéia?

Por que
O sustento do Senhor e dos seus discípulos, assim como o seu serviço de amparo aos pobres vinha das ofertas voluntárias:

Lucas 8.
1 Aconteceu, depois disto, que andava Jesus de cidade em cidade e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do reino de Deus, e os doze iam com ele,
2  e também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios;
3  e Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, Suzana e muitas outras, as quais lhe prestavam assistência com os seus bens.

Mateus 19.
21  Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me.

João 12.
5  Por que não se vendeu este perfume por trezentos denários e não se deu aos pobres?
6  Isto disse ele, não porque tivesse cuidado dos pobres; mas porque era ladrão e, tendo a bolsa, tirava o que nela se lançava.

João 13.
29  Pois, como Judas era quem trazia a bolsa, pensaram alguns que Jesus lhe dissera: Compra o que precisamos para a festa ou lhe ordenara que desse alguma coisa aos pobres.


E quando os irmãos da igreja dos apóstolos, entusiasmados com a graça e o amor de Deus, voluntariamente traziam seus bens para que fossem distribuídos, Pedro resolveu que isto devia parar?
 Não, ele apenas orientou para que pessoas como Ananias e Safira não usassem de ofertas e de mentiras para se auto-promoverem.
Falando sobre a mau-dada oferta de Hananias:
3 Então, disse Pedro: Ananias, por que encheu Satanás teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, reservando parte do valor do campo?
4 Conservando-o, porventura, não seria teu? E, vendido, não estaria em teu poder? Como, pois, assentaste no coração este desígnio? Não mentiste aos homens, mas a Deus.

E quando os irmãos de Jerusalém passavam por dificuldades, os apóstolos mandaram que lhes vendesse roupas ou comida a um preço baratinho?
Não! Paulo saiu pelas demais igrejas recolhendo ofertas conforme cada um pudesse dar.

I Coríntios 16.
2 No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte, em casa, conforme a sua prosperidade, e vá juntando, para que se não façam coletas quando eu for.

2 Coríntios 9.
1 Ora, quanto à assistência a favor dos santos, é desnecessário escrever-vos,
2 porque bem reconheço a vossa presteza, da qual me glorio junto aos macedônios, dizendo que a Acaia está preparada desde o ano passado; e o vosso zelo tem estimulado a muitíssimos.
3 Contudo, enviei os irmãos, para que o nosso louvor a vosso respeito, neste particular, não se desminta, a fim de que, como venho dizendo, estivésseis preparados,
4 para que, caso alguns macedônios forem comigo e vos encontrem desapercebidos, não fiquemos nós envergonhados (para não dizer, vós) quanto a esta confiança.
5 Portanto, julguei conveniente recomendar aos irmãos que me precedessem entre vós e preparassem de antemão a vossa dádiva já anunciada, para que esteja pronta como expressão de generosidade e não de avareza.
6 E isto afirmo: aquele que semeia pouco pouco também ceifará; e o que semeia com fartura com abundância também ceifará.
7 Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria.
8 Deus pode fazer-vos abundar em toda graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, ampla suficiência, superabundeis em toda boa obra,
9 como está escrito: Distribuiu, deu aos pobres, a sua justiça permanece para sempre.
10 Ora, aquele que dá semente ao que semeia e pão para alimento também suprirá e aumentará a vossa sementeira e multiplicará os frutos da vossa justiça,
11 enriquecendo-vos, em tudo, para toda generosidade, a qual faz que, por nosso intermédio, sejam tributadas graças a Deus.
12 Porque o serviço desta assistência não só supre a necessidade dos santos, mas também redunda em muitas graças a Deus,
13 visto como, na prova desta ministração, glorificam a Deus pela obediência da vossa confissão quanto ao evangelho de Cristo e pela liberalidade com que contribuís para eles e para todos,
14 enquanto oram eles a vosso favor, com grande afeto, em virtude da superabundante graça de Deus que há em vós.
15 Graças a Deus pelo seu dom inefável!

A única menção que vemos a algum tipo de comércio na igreja vem da boca de Jesus, e com palavras nada elogiosas, confira Mt 21. 12, 13, Mc 11. 15-17 e Lc 19. 45, 46.

Sabemos que o contexto da reprovação de Jesus ao comércio no templo, com a devida expulsão dos mercadores (que aconteceu, por no mínimo duas vezes, uma no início, outra no fim de seu ministério terreno) é o uso do átrio dos gentios para estes negócios, impedindo que os estrangeiros que confiavam em Deus pudessem adorá-lo dignamente. Também há o forte indício de monopólio e superfaturamento na venda de animais e câmbio das moedas, o que é bastante percebido na expressão de Jesus “covil de salteadores”. O que de início parecia uma coisa boa, pois atendia as pessoas que vinham de longe e antes tinham o incomodo trazer o gado de casa, tinham desde então um lugar acessível para a compra de animais aceitos pelo sacerdote, bem como um local para a troca das suas moedas para as únicas que eram aceitas no templo, acabou por se tornar um sério impedimento à adoração das nações ao Deus de Israel, além de tornar o templo uma ambiente aberto à corrupção!
E é claro que os crentes modernos certamente não farão isso, espero! Mas ainda assim nada muda o fato de que a igreja do Antigo e do Novo Testamentos, viviam muito bem sem essa prática!

Aos que fazem questão do movimento de confraternização e amor envolvidos nas atividades mencionadas, digo que nada impede que se continue a fazer, tão somente, recomendo a que não mais se venda, e sim que se faça doações aos necessitados, pois para o pobre nada tem “valor simbólico”, cada moeda o ajuda para comprar pães ou mesmo para pagar a condução!

Lembremos do caso do irmão pobre com família numerosa que já não podia mais ir à igreja de tão pendurado que estava na cantina, e pensemos, por que a igreja não pode fazer como seu mestre Jesus, dar peixes e pães de forma gratuita e generosa?

Lembremos também do saudoso Rev. Jacó Silva, que grande bem prestou à Igreja Presbiteriana do Brasil, pregando a suficiência dos dízimos e ofertas para o sustento da igreja e amparo aos pobres!

Embora o tema “dízimos e ofertas na igreja” pareça ser um assunto desagradável, para muitos em nossos dias, é urgente falarmos sobre isso, e assim cumprirmos a vontade do Senhor, evitando todos os artifícios criados pelos homens que, ao lançarem mão destas alternativas, nada fazem senão assumir o fracasso na fidelidade dos crentes no serviço voluntário a Deus e aos pobres através dos seus bens!


Ps. Quanto à venda de Bíblias, hinários, livros e CDs nas igrejas, não penso que atentem contra o princípio mencionado, pois não servem para a manutenção da igreja e sim para o justo pagamento dos custos envolvidos. Entendo que podem ser vendidos, desde que não seja no local ou no horário dos cultos, e haja uma reserva que possa atender com empréstimos ou doações desses produtos aos que não possam comprar.

Com amor fraterno,
Pr. Sandro Márcio

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Posso me casar com alguém "divorciado"?

Rev.  Sandro
Bom dia...Deus o abençoe

Olha só depois daquele debate de casamento  no chat... fiquei com algumas duvidas..

eu solteira .. se por acaso aparecer um divorciado na minha vida , mas  motivo do divorcio não tenha sido traição da esposa, não esta correto....???

se for isto quer dizer que um divorciado( sem ser traido) só pode se casar novamente se for com quem ele se divorciou???

obrigada
Rosi


Resposta.

Querida irmã Rosi,
A nossa confissão de Fé de Westminster, amparada nas Escrituras Sagradas instrui:

CAPÍTULO XXIV
DO MATRIMÔNIO E DO DIVÓRCIO
I. O casamento deve ser entre um homem e uma mulher; ao homem não é licito ter mais de urna mulher nem à mulher mais de um marido, ao mesmo tempo.
Ref. Gen. 2:24
Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne.

Mat. 19:4-10
4 Então, respondeu ele: Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher
5 e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne?
6 De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.
7  Replicaram-lhe: Por que mandou, então, Moisés dar carta de divórcio e repudiar?
8  Respondeu-lhes Jesus: Por causa da dureza do vosso coração é que Moisés vos permitiu repudiar vossa mulher; entretanto, não foi assim desde o princípio.
9  Eu, porém, vos digo: quem repudiar sua mulher, não sendo por causa de relações sexuais ilícitas, e casar com outra comete adultério e o que casar com a repudiada comete adultério.
10  Disseram-lhe os discípulos: Se essa é a condição do homem relativamente à sua mulher, não convém casar.

Rom. 7:2,3.
2  Ora, a mulher casada está ligada pela lei ao marido, enquanto ele vive; mas, se o mesmo morrer, desobrigada ficará da lei conjugal.
3  De sorte que será considerada adúltera se, vivendo ainda o marido, unir-se com outro homem; porém, se morrer o marido, estará livre da lei e não será adúltera se contrair novas núpcias.

II. O matrimônio foi ordenado para o mútuo auxílio de marido e mulher, para a propagação da raça humana por uma sucessão legítima e da Igreja por uma semente santa, e para impedir a impureza.

Ref. Gen. 2:18
Disse mais o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea.
Gen 9:1
Abençoou Deus a Noé e a seus filhos e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos e enchei a terra. 

Mal.2:15
Não fez o SENHOR um, mesmo que havendo nele um pouco de espírito? E por que somente um? Ele buscava a descendência que prometera. Portanto, cuidai de vós mesmos, e ninguém seja infiel para com a mulher da sua mocidade.

I Cor. 7:2,9.
2  mas, por causa da impureza, cada um tenha a sua própria esposa, e cada uma, o seu próprio marido.
9  Caso, porém, não se dominem, que se casem; porque é melhor casar do que viver abrasado.

III. A todos os que são capazes de dar um consentimento ajuizado, é lícito casar; mas é dever dos cristãos casar somente no Senhor; portanto, os que professam a verdadeira religião reformada não devem casar-se com infiéis, papistas ou outros idólatras; nem devem os piedosos prender-se desigualmente pelo jugo do casamento aos que são notoriamente ímpios em suas vidas ou que mantém heresias perniciosas.
Ref. Heb. 13:4
Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula; porque Deus julgará os impuros e adúlteros.
I Tim. 4:1-3
1 Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios,
2  pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência,
3  que proíbem o casamento e exigem abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos, com ações de graças, pelos fiéis e por quantos conhecem plenamente a verdade;

Gen.24:57-58
57  Disseram: Chamemos a moça e ouçamo-la pessoalmente.
58  Chamaram, pois, a Rebeca e lhe perguntaram: Queres ir com este homem? Ela respondeu: Irei.

I Cor. 7:39
A mulher está ligada enquanto vive o marido; contudo, se falecer o marido, fica livre para casar com quem quiser, mas somente no Senhor.

II Cor. 6:14.
14 Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniqüidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas?
15  Que harmonia, entre Cristo e o Maligno? Ou que união, do crente com o incrédulo?

I Cor 5.11  
Mas, agora, vos escrevo que não vos associeis com alguém que, dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com esse tal, nem ainda comais.

IV. Não devem casar-se as pessoas entre as quais existem os graus de consagüinidade ou afinidade proibidos na palavra de Deus, tais casamentos incestuosos jamais poderão tornar-se lícitos pelas leis humanas ou consentimento das partes, de modo a poderem coabitar como marido e mulher.
Ref. I Cor. 5:1
Geralmente, se ouve que há entre vós imoralidade e imoralidade tal, como nem mesmo entre os gentios, isto é, haver quem se atreva a possuir a mulher de seu próprio pai.

Mar. 6:18
Pois João lhe dizia: Não te é lícito possuir a mulher de teu irmão.


Lev. 20:19-21
19  Também a nudez da irmã de tua mãe ou da irmã de teu pai não descobrirás; porquanto descobriu a nudez da sua parenta, sobre si levarão a sua iniqüidade.
20  Também se um homem se deitar com a sua tia, descobriu a nudez de seu tio; seu pecado sobre si levarão; morrerão sem filhos.
21  Se um homem tomar a mulher de seu irmão, imundícia é; descobriu a nudez de seu irmão; ficarão sem filhos.


V. O adultério ou fornicação cometida depois de um contrato, sendo descoberto antes do casamento, dá à parte inocente justo motivo de dissolver o contrato; no caso de adultério depois do casamento, à parte inocente é lícito propor divórcio, e depois de obter o divórcio casar com outrem, como se a parte infiel fosse morta.
Ref. Mat, 1: 18-20
18 Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: estando Maria, sua mãe, desposada com José, sem que tivessem antes coabitado, achou-se grávida pelo Espírito Santo.
19  Mas José, seu esposo, sendo justo e não a querendo infamar, resolveu deixá-la secretamente.
20  Enquanto ponderava nestas coisas, eis que lhe apareceu, em sonho, um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo.


5:32
Eu, porém, vos digo: qualquer que repudiar sua mulher, exceto em caso de relações sexuais ilícitas, a expõe a tornar-se adúltera; e aquele que casar com a repudiada comete adultério.

19:9
Eu, porém, vos digo: quem repudiar sua mulher, não sendo por causa de relações sexuais ilícitas, e casar com outra comete adultério e o que casar com a repudiada comete adultério.

VI. Posto que a corrupção do homem seja tal que o incline a procurar argumentos a fim de indevidamente separar aqueles que Deus uniu em matrimônio, contudo só é causa suficiente para dissolver os laços do matrimônio o adultério ou uma deserção tão obstinada que não possa ser remediada nem pela Igreja nem pelo magistrado civil; para a dissolução do matrimônio é necessário haver um processo público e regular, não se devendo deixar ao arbítrio e discreção das partes o decidirem seu próprio caso.
Ref. Mat. 19:6-8
6  De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.
7  Replicaram-lhe: Por que mandou, então, Moisés dar carta de divórcio e repudiar?
8  Respondeu-lhes Jesus: Por causa da dureza do vosso coração é que Moisés vos permitiu repudiar vossa mulher; entretanto, não foi assim desde o princípio.

I Cor. 7:15

Mas, se o descrente quiser apartar-se, que se aparte; em tais casos, não fica sujeito à servidão nem o irmão, nem a irmã; Deus vos tem chamado à paz.


Deut. 24:1-4

1 Se um homem tomar uma mulher e se casar com ela, e se ela não for agradável aos seus olhos, por ter ele achado coisa indecente nela, e se ele lhe lavrar um termo de divórcio, e lho der na mão, e a despedir de casa;
2  e se ela, saindo da sua casa, for e se casar com outro homem;
3  e se este a aborrecer, e lhe lavrar termo de divórcio, e lho der na mão, e a despedir da sua casa ou se este último homem, que a tomou para si por mulher, vier a morrer,
4  então, seu primeiro marido, que a despediu, não poderá tornar a desposá-la para que seja sua mulher, depois que foi contaminada, pois é abominação perante o SENHOR; assim, não farás pecar a terra que o SENHOR, teu Deus, te dá por herança.


Esdras 10:3.

Agora, pois, façamos aliança com o nosso Deus, de que despediremos todas as mulheres e os seus filhos, segundo o conselho do Senhor e o dos que tremem ao mandado do nosso Deus; e faça-se segundo a Lei.

Creio que, verificando os textos bíblicos, constata-se a posição fiel das declarações acima, de que apenas a traição ou a deserção obstinada do incrédulo justifica o divórcio e o novo casamento por parte do cônjuge fiel. Por deserção obstinada, entende-se que seja quando, mesmo não havendo adultério e apesar do crente fazer todo o possível e aceitável diante de Deus pela união, ainda assim o outro decide ir embora. Em outros casos, ainda que possa se dar a separação por parte do cristão, não há a permissão para um novo casamento, pois diante de Deus, apesar de, por questões diversas, haja impossibilidade de viverem juntos, eles ainda são casados e tem compromisso de fidelidade que os reconduza ao perdão e à vida em comum, sabendo que durante o tempo em que estiverem separados ficam mais expostos à tentação de uma terceira pessoa, e, neste caso, Jesus chama a nova união de ADULTÉRIO!
O grande engano de muitas famílias é que já nascem condenadas, pois os cônjuges não crêem que ficarão juntos “até que a morte os separe”; infelizmente, o divórcio deixou de ser a última opção e passou a ser a fuga de qualquer desconforto, selando a incompatibilidade dos egos.
Nunca é demasiado dizer que embora o Senhor permita (não ordena) o divórcio para os casos mencionados acima, Deus, o criador da família, detesta o divórcio:

Porque o SENHOR, Deus de Israel, diz que odeia o repúdio e também aquele que cobre de violência as suas vestes, diz o SENHOR dos Exércitos; portanto, cuidai de vós mesmos e não sejais infiéis. Malaquias 2.15
   
Contudo, esta orientação nem sempre é bem acolhida, pois, tal como no casamento misto, os sentimentos costumam falar mais alto do que a Palavra de Deus, e os exemplos que “deram certo” parecem justificar a iniciativa. Entretanto, sejamos honestos em reconhecer que nem tudo o que “dá certo” é “certo de fato”!
Todavia, em nossa sociedade tão imoral e prejudicial às famílias, é comum alguém se converter já com a vida familiar toda perturbada, numa seqüência de casamentos infelizes, divórcios precipitados e novas e ainda mais rápidas uniões, e a criação dos filhos desses casamentos. Isto só é compreensível por haver acontecido antes da pessoa ter conhecido a Cristo, e dado à impossibilidade de consertar o passado, só resta arrepender-se dos adultérios cometidos, assumir as responsabilidades como pai e a partir de então ser fiel e amoroso com a atual companheira dando o exemplo de que:
...se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.  Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação.” 2 Coríntios 5:17-19

Falando em reconciliação, lembremo-nos do que ocorreu com Raabe a prostituta:
Hebreus 11:31  Pela fé, Raabe, a meretriz, não foi destruída com os desobedientes, porque acolheu com paz aos espias.
Mateus 1:5,6a  Salmom gerou de Raabe a Boaz; este, de Rute, gerou a Obede; e Obede, a Jessé;  Jessé gerou ao rei Davi;

No entanto, aquele que já conhece ao Senhor, conquanto seja também um pecador, não pode praticar aquilo que sabe ser condenado pelo Senhor, e se já fez isto, ainda que, sendo salvo, não perde a salvação, fique ciente de seu pecado e das tristes conseqüências que, nesta vida, acompanham semelhante decisão, restando-lhe apenas suplicar o perdão e a misericórdia de Deus.
Cara irmã, tenha bem definido em sua mente que começar uma união com alguém que já fracassou uma vez como marido, ou que diante de Deus ainda pertence a outra pessoa é o prenúncio de um grande desgosto. Sabemos que Deus é poderoso e misericordioso para até mesmo consertar nossas tolices, mas casar-se desse modo é como uma pessoa pular do alto do templo esperando que os anjos a protejam, atitude esta que é chamada por Jesus de “tentar a Deus”!(Conf. Mt .4. 5-7) Não faça isto!
Embora com o passar do tempo o coração solteiro se angustie, é sábio não dá-lo a alguém sem a certeza da bênção de Deus; confie no amor divino!
Que Deus a abençoe!
Pr. Sandro Márcio