Espaço reservado à reflexão sobre questões que nos incomodam e nem sempre tivemos com quem nos aconselhar. Reflete a opinião de quem, embora não seja dono da verdade, se esforça por ser um servo fiel dela. Existe algo que sempre o incomodou e que ainda não encontrou resposta satisfatória? Este é o seu espaço, você poderá perguntar o que quiser e eu lhe direi o que penso, embasado na Bíblia Sagrada. Trazer-lhe a Palavra de Deus e tirar a sua dúvida, ajudando-o (a) a refletir acerca de seu dia-a-dia é o que mais desejo. Você pode usar o espaço "comentários" para enviar suas perguntas ou, se preferir, mande-as via e-mail: pr.sandromarcio@hotmail.com e aguarde a publicação da resposta no blog.
Que Deus nos ajude!

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Livre Arbítrio ou Livre Agência?


Boa noite Reverendo!

Gostei muito da cartinha do papai noel... no http://www.prsandromarcio.blogspot.com/

Gostaria pastor de uma explicação detalhada sobre o livre arbítrio e livre agência.

Grato

Danilo

Resposta:

Caríssimo irmão,

Como você bem reparou, existe uma confusão entre as pessoas acerca de livre arbítrio e livre agência.

Apenas na Criação Adão e Eva tiveram Livre arbítrio, pois foram criados santos e perfeitos, mas podiam mudar e de fato mudaram a própria natureza, assumindo o pecado como uma nova forma de viver. A partir do Éden, ninguém mais conseguiu mudar a própria natureza, pois quando alguém se converte de seu pecado, vemos claramente ali a ação regeneradora do Espírito Santo antecedendo e garantindo a verdade desta mudança. É por isso que oramos para que Deus converta os corações!      

Por isso, toda vez que a Bíblia convida o homem a converter-se e se voltar para Deus, não está ensinando que o homem tem condições de sozinho tomar esta decisão, como se ele pudesse livremente deixar de gostar do que é mal e passasse a desejar o que é bom, pelo contrário, tais convites são feitos justamente para que fique claro que o ser humano é mal e rebelde ao seu Criador. E também serve para dar segurança de salvação aos que O aceitam de verdade, pois eles têm a consciência de que foi Deus quem executou esta transformação em seus corações, pois, sem a ação especial de Deus, homem algum haveria de amar a Deus!

Então quando o homem opta por um modo de vida, ele não está exercendo o seu livre arbítrio, que seria o poder de desejar tanto o bem quanto o mal, mas está exercitando a sua livre agência, que é o poder de agir conforme a sua vontade.

O homem é livre para fazer o que quiser, isto significa livre agência, mas não é livre para, por si mesmo, deixar de querer aquilo que ele ama, indo contra a própria natureza pecaminosa, isto seria livre arbítrio. Por isso o homem quando faz o mal está em pleno acordo com sua natureza decaída, seguindo os maus desejos de seu coração; e quando opta pela salvação,  dá provas de que Deus lhe deu um novo coração, uma nova natureza, um novo nascimento, que lhe impulsionam a desejar o bem e a aceitar a Cristo como seu Senhor e salvador. Todavia, como a velha natureza não foi retirada de nós, ainda pecamos, mas, amparados por Deus e fazendo bom uso da Bíblia e da oração, desfrutam os crentes do arrependimento, da certeza do perdão e de forças para resistir às tentações.

Toda a humanidade está corrompida pelo pecado, mas, pela graça divina a fé salvadora é um dom de Deus aos seus eleitos. Aos demais que não são eleitos para a salvação Deus também manifesta a sua graça, chamada pelos teólogos de graça comum, que é uma ação especial de Deus que refreia a maldade humana, possibilitando que mesmo incrédulos e rebeldes pratiquem atos de relativas bondade e justiça, todavia, tais atos são também envoltos em pecados e os homens acabam por buscar a glória e o reconhecimento, desviando para si mesmos a glória que é devida ao Senhor!   
A Bíblia diz que todo o homem já nasce em pecado, isto é, já nasce preso ao pecado, suas decisões não são livres, mas atendem à sua natureza. Por isso Deus quando deseja converter alguém envia o Seu Espírito Santo que o transforma, dando-lhe nova natureza e finalmente a vontade de dizer sim ao Senhor. Não estou dizendo que o homem não escolhe seu caminho, e sim que toda escolha feita pelo homem acerca de sua salvação está condicionada à natureza que possui: ou a velha natureza de Adão que conduz à morte, ou à nova natureza que nos é dada pelo Filho nos fazendo nascer de novo. Se Deus esperasse por nossas decisões “livres”, ninguém jamais se converteria. Veja o exemplo de Saulo de Tarso, acaso ele queria seguir a Jesus? Mas quando o Senhor o converteu, ele (Paulo) O amou ardentemente e O seguiu até a morte! 

Para maior entendimento acerca do Livre arbítrio, transcrevo abaixo o capítulo da Confissão de Fé de Westminster, com as devidas referências bíblicas!


CAPÍTULO IX
DO LIVRE ARBITRIO
I. Deus dotou a vontade do homem de tal liberdade, que ele nem é forçado para o bem ou para o
mal, nem a isso é determinado por qualquer necessidade absoluta da sua natureza.
Ref.
 Tiago 1:14
Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz.
Deut. 30:19
 Os céus e a terra tomo, hoje, por testemunhas contra ti, que te propus a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência,
João 5:40
Contudo, não quereis vir a mim para terdes vida.
Mat. 17:12
Eu, porém, vos declaro que Elias já veio, e não o reconheceram; antes, fizeram com ele tudo quanto quiseram. Assim também o Filho do Homem há de padecer nas mãos deles.
At.7:51
Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e de ouvidos, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim como fizeram vossos pais, também vós o fazeis.
Tiago 4:7.
Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.

II. O homem, em seu estado de inocência, tinha a liberdade e o poder de querer e fazer aquilo que
é bom e agradável a Deus, mas mudavelmente, de sorte que pudesse decair dessa liberdade e
poder.
Ref.
Ec. 7:29
Eis o que tão-somente achei: que Deus fez o homem reto, mas ele se meteu em muitas astúcias.
Col. 3: 10
e vos revestistes do novo homem que se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou;
Gen.
1:26
Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra.
2:16-17
16 E o SENHOR Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente,
17 mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.
3:6
Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido, e ele comeu.

III. O homem, caindo em um estado de pecado, perdeu totalmente todo o poder de vontade
quanto a qualquer bem espiritual que acompanhe a salvação, de sorte que um homem natural,
inteiramente adverso a esse bem e morto no pecado, é incapaz de, pelo seu próprio poder,
converter-se ou mesmo preparar-se para isso.
Ref.
Rom. 5:6
Porque Cristo, quando nós ainda éramos fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios.
8:7-8
7  Por isso, o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar.
8  Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus.
João 15:5
Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.
Rom. 3:9-10, 12, 23
9  Que se conclui? Temos nós qualquer vantagem? Não, de forma nenhuma; pois já temos demonstrado que todos, tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado;
10  como está escrito: Não há justo, nem um sequer,
12  todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer.
23  pois todos pecaram e carecem da glória de Deus,
Ef.2:1, 5;
1 Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados,
5  e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, —pela graça sois salvos,
Col. 2:13
13 E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos;
João 6:44, 65;
44  Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia.
65  E prosseguiu: Por causa disto, é que vos tenho dito: ninguém poderá vir a mim, se, pelo Pai, não lhe for concedido.
I Cor. 2:14
14  Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.
Tito 3:3-5.
3  Pois nós também, outrora, éramos néscios, desobedientes, desgarrados, escravos de toda sorte de paixões e prazeres, vivendo em malícia e inveja, odiosos e odiando-nos uns aos outros.
4  Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com todos,
5  não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo,

IV. Quando Deus converte um pecador e o transfere para o estado de graça, ele o liberta da sua
natural escravidão ao pecado e, somente pela sua graça, o habilita a querer e fazer com toda a
liberdade o que é espiritualmente bom, mas isso de tal modo que, por causa da corrupção, ainda
nele existente, o pecador não faz o bem perfeitamente, nem deseja somente o que é bom, mas
também o que é mau.
Ref.
Col.1: 13
Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor,
João 8:34, 36
34  Replicou-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: todo o que comete pecado é escravo do pecado.
36  Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.
Fil. 2:13
Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade.
Rom. 6:18, 22
18  e, uma vez libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça.
22  Agora, porém, libertados do pecado, transformados em servos de Deus, tendes o vosso fruto para a santificação e, por fim, a vida eterna;
Gal.5:17
Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer.
Rom. 7:15, 21-23
15  Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto.
21  Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim.
22  Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus;
23  mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros.
I João 1:8, 10.
8 Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós.
10  Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós.

V. É no estado de glória que a vontade do homem se torna perfeita e imutavelmente livre para o
bem só.
Ref.
Ef. 4:13
Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo,
Judas, 24
Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeços e para vos apresentar com exultação, imaculados diante da sua glória,
I João 3:2.
2  Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é.

Um forte abraço, querido irmão!

Em Cristo,
Pr. Sandro Márcio

sábado, 31 de dezembro de 2011

Qual o destino daqueles que morrem na Infância?




Em 25 de novembro de 2011, Catiúscia -GO escreveu:
Rev. Sandro:
Sei que ninguém tem direito a salvação e que já nascemos pecadores.
Então se uma criança nasce e não for eleita ela será condenada?
Se um bebê acaba de nascer e por uma fatalidade morre, se não for eleito ele vai pro inferno?
Mas é isso que me incuca... Mesmo sendo uma criança? Que não tem discernimento de nada?
Se for eleito vai pro céu?
Entende minha dúvida?
Reverendo, minha dúvida aumentou quando o pastor, que estava aqui, disse que todas as crianças, morrendo enquanto crianças iriam para o céu...
Minha irmã e eu estávamos conversando sobre esse assunto, e queríamos referências bíblicas sobre tal, por isso recorri ao senhor!

Resposta:
Caty, este assunto é cercado de uma carga emocional muito grande! Por um lado vemos pessoas,  pastores e mesmo igrejas inteiras, afirmando que todas as crianças que falecem são salvas, enquanto tantos outros asseguram que os que morrem na infância só são salvos se forem filhos de salvos; há também aqueles que pensam que só são salvos os que tem condições mentais para aceitar a Cristo como seu senhor e salvador e o fazem de fato; e por último há aqueles que defendem que Deus, pela graça de Cristo, salva a quem Ele quiser! Nem sequer falamos daqueles que adotam a posição de que o sacramento do batismo confere salvação, por sua total falta de coerência com o ensinamento bíblico!

É fácil constatar que, na maioria das vezes, as convicções pessoais se mostram mais fortes do que as próprias evidências disponíveis. Entretanto, devemos sempre lembrar que a Bíblia Sagrada é a nossa única infalível regra de fé e prática, e que fora dela o que temos são apenas opiniões!

Pois bem, de início, temos que reconhecer que não há texto bíblico que afirme, sem sombra de dúvida, que todas as crianças que morrem serão salvas, e nem que ensine claramente que alguma criança foi para o inferno!

O que vemos na Bíblia é a presença do pecado no mundo, após a queda de Adão e Eva e a condição de pecadores herdada por seus filhos, o pecado não é apenas aquilo que fazemos conscientemente, é na verdade uma disposição de espírito contrária a Deus. A Bíblia diz que éramos por natureza filhos da ira! Não pecamos porque pensamos de forma errada, mas pensamos e agimos erradamente porque somos pecadores, desde o nascimento! Assim, a despeito da “carinha de anjo”, toda criança é também um pecador! O que quero dizer é que ninguém tem direito à salvação. Ao nascer, a criança não está isenta do pecado, que faz parte de sua natureza decaída, ela só não é capaz de agir como um adulto o faz, mas, se olharmos com atenção, já podemos perceber manifestações da sua raiva. Tão logo ela possa, vai demonstrar o seu pecado através de ações; pois, assim que cresce um pouquinho, a criança, também mente, engana e até odeia; talvez não com a mesma “habilidade” dos adultos, mas o pecado já está ali!

Romanos 5:12  Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.
Salmo 51.5  Eu nasci na iniqüidade, e em pecado me concebeu minha mãe.
Salmos 14:3  Todos se extraviaram e juntamente se corromperam; não há quem faça o bem, não há nem um sequer.
Eclesiastes 7:20  Não há homem justo sobre a terra que faça o bem e que não peque.
Romanos 3:10  como está escrito: Não há justo, nem um sequer,
Romanos 3:12  todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer.
Romanos 3:23  pois todos pecaram e carecem da glória de Deus,

 Ué?!? Mas, e as palavras de Jesus em Lucas 18:17: “Em verdade vos digo: Quem não receber o reino de Deus como uma criança de maneira alguma entrará nele” e  Mateus 19.14 “Jesus, porém, disse: Deixai os pequeninos, não os embaraceis de vir a mim, porque dos tais é o reino dos céus” ?
Quando Jesus diz que devemos nos tornar como crianças, não quer dizer puros como crianças, pois elas não são puras, e sim que devemos ser confiantes, humildes e aprendizes, como elas são!

E o outro texto mencionado acima, acerca de Jesus e as crianças, trata apenas da bênção do Senhor aos filhos daqueles que nEle crêem, e não estou certo se pode ser extensivo a todas as crianças. Não podemos afirmar com certeza. Creio que chamar uma criança de inocente não seja adequado pois então não seriam pecadoras desde o nascimento como a Bíblia diz e não precisariam de Jesus como seu Salvador!

Não estou afirmando que alguma criança se perde, e sim que, se uma criança é salva, assim o é, tão somente, pelo sacrifício de Cristo em seu favor, e não por alguma virtude que possua! Crianças ou adultos só são salvos pela graça de Cristo, mediante o Seu sacrifício na cruz!

Em João 1. 12 e 13, lemos:   Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.

Mas, se a fé e a aceitação consciente é um requisito para a salvação, poderia Deus salvar aqueles que são incapazes de crer?

Creio que sim, pois lemos na Bíblia que o Filho de Deus traz salvação a todo aquele que O aceita como seu Senhor e Salvador, não como uma atitude meramente intelectual, mas como uma reação natural ao novo nascimento que o Espírito Santo promove em nós, conforme João 3.3-8!  Além disso, registra-se nas Escrituras alguns relatos acerca daqueles que, mesmo não podendo ainda exercer a fé, já foram usados, reconhecidos e tratados como servos de Deus! É o caso de Isaque, Sansão, Samuel, Jeremias,  e especialmente de João Batista, que teve um mover especial do Espírito Santo, mesmo antes de nascer, por ocasião da visita de Maria, que estava esperando o Messias, à sua mãe Isabel que o trazia em seu ventre, conforme Lucas 1. 39-45.
Temos também a, já mencionada, palavra de Jesus aos pais crentes que traziam seus filhos para que Ele os abençoasse: “...porque dos tais é o reino dos céus”! São passagens que nos dão segurança para confiar a Ele a vida de nossos pequeninos, mesmo que eles ainda não possam crer.
   
Posto que penso já ter demonstrado que Cristo salva também as criancinhas, podemos afirmar que só os filhos dos salvos que morrem na infância, serão salvos?
Temos algumas evidências bíblicas que demonstram o favor de Deus também para com crianças que nasceram em lares infiéis:

É o caso do menino Abias, filho de Jeroboão, o rei apóstata (I Reis 14. 10-13):
10  portanto, eis que trarei o mal sobre a casa de Jeroboão, e eliminarei de Jeroboão todo e qualquer do sexo masculino, tanto o escravo como o livre, e lançarei fora os descendentes da casa de Jeroboão, como se lança fora o esterco, até que, de todo, ela se acabe.
11  Quem morrer a Jeroboão na cidade, os cães o comerão, e o que morrer no campo aberto, as aves do céu o comerão, porque o SENHOR o disse.
12  Tu, pois, dispõe-te e vai para tua casa; quando puseres os pés na cidade, o menino morrerá.
13  Todo o Israel o pranteará e o sepultará; porque de Jeroboão só este dará entrada em sepultura, porquanto se achou nele coisa boa para com o SENHOR, Deus de Israel, em casa de Jeroboão.

Além disso, se a Bíblia fala sobre salvos de todas as nações, tribos, povos e línguas, e sabemos que muitos grupos étnicos desapareceram sem ter contato com o Evangelho, acaso os seus salvos seriam as sua crianças falecidas, soberanamente eleitas por Cristo?
Apocalipse 7. 9, 10.
9  Depois destas coisas, vi, e eis grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos;
10  e clamavam em grande voz, dizendo: Ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro, pertence a salvação.

Podemos afirmar que Deus é soberanamente livre para exercer sua misericórdia sobre quem Ele quiser:
Romanos 9. 15, 16.
15  Pois ele diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão.
16  Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia.

Portanto, todos nascemos pecadores e mesmo que os bebês,  não possam ainda praticar o ato, o pecado já os acompanha e influencia, desde o nascimento, e, deste modo, ninguém tem o direito à salvação por inocência, seja uma criança pequena ou um adulto, mentalmente incapaz, ou alguem que jamais tenha ouvido o Evangelho. Pois, assim como foi justo que recebêssemos a herança do pecado de nosso representante Adão, é também justo que Cristo nos represente para a salvação, e não podemos afirmar se Ele predestinou ou não todas as crianças ao céu, não temos tanta sabedoria para avaliar o desígnio do Senhor, pois, Deus escolhe e salva a quem lhe apraz! Não há nada na Bíblia que nos proíba de pensar que Ele decidiu salvar a todas as crianças que falecem, bem como a todos os mentalmente incapazes. Entretanto, isto é algo que não podemos afirmar com plena certeza, muito embora fosse este o desejo de nosso coração! Todavia, há na Bíblia Sagrada o pacto de Jesus com os que crêem e com sua família (Josué 24.15; Atos 2.39; Marcos 5.19 e Atos 16.31) e esta esperança bendita é um dos motivos principais para nós que cremos em Jesus e somos batizados, batizarmos também nossos bebês e crermos na sua salvação, não é algo infalível, pois a Bíblia mostra muitos filhos de crentes que se revelaram infiéis, mas cabe a nós educá-los como crentes e confiar suas vidas ao Senhor!

Querida irmã, como posso observar na sua fala, você está correta em dizer que Deus elege aqueles que são seus. A Bíblia afirma que ao Senhor pertence a Salvação (Jonas 2.9; Apocalipse 7.10) e que a fé é um dom de Deus (Efésios 2.8), que ninguém vai ao Pai a não ser por Cristo (João 14.6), e ninguém vai a Cristo, senão for enviado pelo Pai (João 6.37), que Deus nos amou primeiro (I João 4.19), que Deus amou e salvou aos crentes do mundo todo (João 3.16), que o Senhor os elegeu antes da fundação do mundo (Efésios 1.4), não baseado em obras que fariam (Romanos 9.11), mas, tão somente em sua vontade e graça (Efésios 1.5). Contudo, embora possamos saber e crer na nossa própria eleição, visto que jamais creríamos por nosso próprio entendimento, não podemos fazer conjecturas acerca dos outros, sobre quem é ou não eleito para a salvação. 

Caty, há pastores que, categoricamente, afirmam a salvação de todas as crianças! Não acho que isto seja impossível, se Deus assim o quiser! Mas afirmar não é bom, pois como nos norteia um sábio princípio calvinista, é bom falar quando a Bíblia fala e calar quando ela se cala!

Sigamos pregando Evangelho para a salvação dos que crêem, e quanto aos demais que não tem condições mentais para aceitar a Jesus, confiemos na Soberania, na Justiça, no Amor, na Graça e na Sabedoria do nosso Deus! 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Podemos orar a Jesus e ao Espírito?

Caro Pastor Sandro Marcio.
Gostaria de saber se podemos orar a Jesus e ao Espírito. Muito obrigado!
Silvio Iran Costa Melo


Caro irmão Silvio, a Bíblia ensina que Deus é Pai, Filho e Espírito Santo. Deste modo, não haveria problema algum em fazermos orações a qualquer uma das pessoas de Deus, seja ao Filho, ao Espírito Santo ou ao Pai. Contudo, no modo como Deus decidiu se relacionar conosco, convém reparar que, embora todas as pessoas da Trindade terem sido agentes da criação, o Pai é mormente reconhecido com o nome de Criador, do mesmo modo que mesmo que a Trindade esteja plenamente envolvida em nossa salvação, ao Filho é mais vezes dado o título de Salvador, e da mesma maneira que a Trindade está totalmente empenhada em nosso amparo diário, ao Espírito Santo é que se dá com mais ênfase o nome de Consolador. Isto é o que chamamos de Economia da Trindade, o modo como Deus administra e distribui as funções em Seu Ser. Assim, é mais adequado orar ao Pai, através, ou em nome do Filho e amparado e dirigido pelo Espírito Santo. Lembremos, que como Jesus nos ensina em João 16, o Espírito Santo glorifica o Filho e o Filho glorifica ao Pai; e é bom que seja assim, pois algumas pessoas passaram a cultuar mais o Espírito Santo, tornando o culto mais místico e emocional, e esquecendo do papel da 3ª Pessoa da Trindade, e de que a maior alegria do Consolador não é de ser adorado por nós, e sim de nos conduzir, à adoração ao Pai, através de Jesus Cristo!    

Deste modo, não creio que seja pecado orar a qualquer uma das Pessoas de Deus, pois Deus é um só; mas, se Deus viu por bem estabelecer diferença no modo como estas Pessoas se relacionam conosco, creio que revela maior prudência aquele que acata esta distinção!

Um forte abraço,
Pr. Sandro Márcio

Ps. Se ainda não ficou claro, por favor me avise, que terei prazer em elucidar!



A Paz,
Sou-lhe grato Pastor pela resposta e sua forma didática.
Um forte abraço!
Silvio Iran Costa Melo

domingo, 27 de novembro de 2011

Devemos comemorar o Natal ?


Em nossos dias muitos têm se levantado para questionar e mesmo protestar contra a comemoração do natal. Os argumentos usados são basicamente estes:

- Não sabemos a data exata do nascimento de Jesus;
- A data de 25 de dezembro era usada no paganismo para celebrar o nascimento do sol “deus sol invicto”;
- As árvores de natal têm sua origem na devoção pagã aos espíritos da floresta;
- O natal tem sido apenas uma data de aquecimento do comércio;
- O desvirtuamento do natal com o crescimento da figura do Papai Noel.
- Muitas brigas e mortes têm ocorrido por ocasião das festas de final de ano;
- O natal só serve para exaltar a pessoa de Maria, a mãe do salvador;
- A comemoração mais importante dos cristãos deve ser a páscoa e não o natal;
Estas observações devem ser consideradas para que respondamos a pergunta: Devemos comemorar o Natal?
Primeiramente, vamos tratar acerca da data do natal:
De fato, ninguém sabe ao certo o dia do nascimento de nosso Senhor. Estudiosos acreditam que tenha sido por volta de março ou abril, época em que, devido ao calor, os pastores de Belém passavam a noite ao relento com suas ovelhas, pois se fosse em dezembro o frio não permitiria. E justamente por desconhecermos a data é que os cristãos, anteriores aos estudiosos citados escolheram o 25 de dezembro, como fazemos quando não sabemos a data de certo evento e escolhemos um dia para comemora-lo. O fato de ter havido uma celebração pagã com árvores enfeitadas, associada ao 25 de dezembro, só nos faz reconhecer a grandeza de Deus em ter transformado um dia de enganosa idolatria num dia de louvor a Jesus Cristo. Só haverá problema real se encontrarmos alguém que ainda adore as árvores e não as tenham como mera ornamentação, como fazemos no natal cristão.
Em segundo lugar, vamos falar do comércio, do velho Noel da violência que cerca esta data:
Os comerciantes viram nesta data um potente fator de elevação das vendas e do consumo, criou-se a figura do Papai Noel, baseada no lendário São Nicolau. Os cristãos devem reconhecer que o motivo da sua comemoração vai muito além de comida, bebida e presentes, mas isso não quer dizer que não possam trocar presentes, enfeitar casas e árvores ou se fantasiar de papai Noel. Mas precisam deixar bem claro que tudo isso não passa de uma sadia recreação, que não tem sentido algum se nos desviarem a atenção do verdadeiro aniversariante: Jesus Cristo! Já a violência, conseqüente da bebedeira e dos excessos praticados nessas datas, nem precisamos falar, que um verdadeiro cristão, certamente estará longe destas coisas.
Em terceiro lugar, devemos também ter cautela quanto ao modo como celebramos o natal, para que não estejamos transferindo a glória do filho Jesus à sua mãe Maria, pois, embora tenhamos muito respeito e admiração pela mãe de nosso Senhor, todavia, além do Deus Trino (Pai, Filho e Espírito Santo), não há espaço para mais ninguém na adoração cristã.
E finalmente, embora o momento maior da história cristã não seja o nascimento, e sim a morte e ressurreição do Senhor Jesus Cristo, devemos sim comemorar o Natal, pois, os anjos o comemoraram com um lindo coral, os pastores o comemoraram maravilhados, dias depois os crentes Ana e Simeão no templo adoraram a Deus por haver mandado o Salvador, e mais tarde os magos o celebraram com presentes!
Tendo considerado um a um esses argumentos afirmamos que não só podemos como devemos celebrar com gratidão e alegria o nascimento do nosso Salvador, e desejar a todos:
UM FELIZ NATAL COM JESUS!!!

sábado, 19 de novembro de 2011

Por Que Deus Criou Pessoas, Mesmo Sabendo que Elas se Perderiam?


Em 13/11/2011
Suélia (GO) escreveu:

Pr Sandro,
Creio na bíblia como a Palavra de Deus...
Aceito e até me emociono com a predestinação expressa na bíblia...
Sinto-me infinitamente grata pela graça de Deus que me alcançou...
Adoro a Deus por seus atributos.... inclusive por ser justo.
Tenho questões, mas não afetam a minha confiança nEle.
A minha questão, nesse momento está relacionada à justiça de Deus.
Entendo que Deus não está sendo injusto por condenar ao inferno aqueles a quem ele não predestinou para a vida, pois todos mereciam a morte, e por sua misericórdia escolheu alguns para a vida... não vejo injustiça nesta ação de Deus.
Mas não entendo a justiça de Deus ao formar o homem para perecer eternamente no inferno. Sendo onisciente, sabia que o homem iria para o inferno... então porque o criou? Porque formar vasos pra honra e para desonra?
Com temor a Deus,
Suélia


RESPOSTA em 13/11
Boa noite irmã Suélia, de fato sua questão é bastante inquietante!
De início quero reafirmar meu respeito e afeto pela irmã, principalmente por expor uma dúvida que muitos tem, mas, poucos teriam coragem de declarar. Saliento minha confiança em sua fé e temor a Deus, já demonstrados em outras circunstâncias.

Cara irmã, como você bem expressou, Deus é onisciente e onipotente, portanto, sabia tudo o que haveria de acontecer e sempre teve poder para mudar aquilo que não quisesse que acontecesse, mesmo antes que tudo existisse. Logo, Deus quis criar, não apenas os homens e anjos eleitos, como também, os homens e os anjos que se perderiam. Você disse bem, como você bem frisou (conforme Romanos 9), os vasos de ira, foram feitos por Deus com vistas à perdição, porque Deus quis assim!!!

A grande verdade é que Deus é o escritor da nossa história. E, segundo o seu querer, a história dos homens seria de vilões malvados, covardes e desumanos. Sendo que, em certo momento, alguns daqueles vilões, por um verdadeiro arrependimento de suas vilanias, haveriam de encontrar perdão, através de um Salvador que voluntariamente pagasse por seus crimes, enquanto outros, que persistissem em seus erros, encontrassem o destino merecido.
Alguém poderá dizer, mas porque Ele não escreveu uma história diferente?

Eis aí um mistério, porque o Criador não nos conta porque criou deste e não daquele modo, ou porque a este foi dado e a outro foi negado o entendimento; Ele simplesmente nos revela que quis assim!

E qualquer história que Ele escrevesse poderia nos suscitar igual pergunta.

Creio que a pergunta, que realmente a incomoda é: Isto está direito? É justo isto?
Quando leio um romance composto por um hábil escritor, me pergunto se é justo o final que ele deu aos seus personagens, mas não questiono o seu direito de escrever.
Você já demonstrou que crê na justiça dos destinos eternos: Salvação pela fé em Cristo e perdição pelos pecados cometidos.  
Agora, o que não pode haver dúvidas é sobre o direito de Deus escrever esta ou aquela história, segundo a Sua santa e perfeita vontade!


 O pastor e reformador João Calvino nos ensina desta forma:
“Disso não se segue que possamos detratar a Deus, pelo que nos adiantamos, com o apóstolo Paulo desta maneira: “Quem és tu ó homem para discutires com Deus?! Porventura pode o objeto perguntar a quem o fez: porque me fizeste assim? Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro para desonra?” (Rm 9.20,21). Dirão os oponentes que não se pode defender retamente dessa maneira a justiça de Deus, mas que isso não passa de um subterfúgio próprio daqueles que não tem desculpa satisfatória. Porque se vê que isso não diz nada, exceto que o poder de Deus não pode ser impedido de fazer o que bem lhe parece. Digo que é coisa bem diferente. Pois, Que motivo mais firme e mais forte se poderá apresentar do que nos exortar a que pensemos em quem Deus é? Porque, como poderia cometer alguma iniqüidade aquele que julga o mundo? Se é próprio da sua natureza fazer justiça, ele ama naturalmente essa justiça, e odeia toda iniqüidade. Por isso o apóstolo não procurou nenhum esconderijo, como se estivesse surpreso ou derrotado; mas ele quis mostrar que a justiça de Deus é tão alta e excelente que não deve ser reduzida à medida humana ou ser comprimida pela pequenez do entendimento dos homens. ... Que absurdo há nisso? Gostaríamos que o poder de Deus fosse tão limitado que não conseguisse fazer coisa alguma que o nosso espírito não pudesse compreender?! Digo com Agostinho que Deus criou alguns que ele previu que iriam para a perdição eterna, e que o fez porque quis. Ora, porque ele o quis não significa que nos cabe exigir a razão, visto que não a podemos compreender. E, por outro lado, não se deve discutir se a vontade de Deus é justa ou não; quando se falar sobre a vontade de Deus, esta deve ser entendida como regra infalível da justiça. Como se vai duvidar se há iniquidade, onde a justiça é patente? Intitutas Cap. VIII, Livro 3, pp. 50, 51.

Daí, dizer que, juntamente com a irmã fazemos muito bem em seguir em nossa fé, mesmo sem compreender todos os atos de Deus, pois sabemos que, sendo Ele o Justo e o único Deus, é impossível que cometa alguma injustiça, portanto, creiamos na retidão do Seu agir!   

 Referência Bíblica.
 Salmos 139.
16  Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda.
17 Que preciosos para mim, ó Deus, são os teus pensamentos! E como é grande a soma deles!
18  Se os contasse, excedem os grãos de areia; contaria, contaria, sem jamais chegar ao fim.

Jó 40.
1 Disse mais o SENHOR a Jó:
2  Acaso, quem usa de censuras contenderá com o Todo-Poderoso? Quem assim argúi a Deus que responda.
3  Então, Jó respondeu ao SENHOR e disse:
4  Sou indigno; que te responderia eu? Ponho a mão na minha boca.
5  Uma vez falei e não replicarei, aliás, duas vezes, porém não prosseguirei.
6  Então, o SENHOR, do meio de um redemoinho, respondeu a Jó:
7  Cinge agora os lombos como homem; eu te perguntarei, e tu me responderás.
8  Acaso, anularás tu, de fato, o meu juízo? Ou me condenarás, para te justificares?
9  Ou tens braço como Deus ou podes trovejar com a voz como ele o faz?
10  Orna-te, pois, de excelência e grandeza, veste-te de majestade e de glória.
11  Derrama as torrentes da tua ira e atenta para todo soberbo e abate-o.
12  Olha para todo soberbo e humilha-o, calca aos pés os perversos no seu lugar.
13  Cobre-os juntamente no pó, encerra-lhes o rosto no sepulcro.
14  Então, também eu confessarei a teu respeito que a tua mão direita te dá vitória.

Isaías 30:18 ¶ Por isso, o SENHOR espera, para ter misericórdia de vós, e se detém, para se compadecer de vós, porque o SENHOR é Deus de justiça; bem-aventurados todos os que nele esperam.

João 17.
6 ¶ Manifestei o teu nome aos homens que me deste do mundo. Eram teus, tu mos confiaste, e eles têm guardado a tua palavra.
9  É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus;
11 ¶ Já não estou no mundo, mas eles continuam no mundo, ao passo que eu vou para junto de ti. Pai santo, guarda-os em teu nome, que me deste, para que eles sejam um, assim como nós.
12  Quando eu estava com eles, guardava-os no teu nome, que me deste, e protegi-os, e nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura.
19  E a favor deles eu me santifico a mim mesmo, para que eles também sejam santificados na verdade.
20 Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra;
21  a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste.

Romanos 9.
15  Pois ele diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão.
16  Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia.
17  Porque a Escritura diz a Faraó: Para isto mesmo te levantei, para mostrar em ti o meu poder e para que o meu nome seja anunciado por toda a terra.
18  Logo, tem ele misericórdia de quem quer e também endurece a quem lhe apraz.
19  Tu, porém, me dirás: De que se queixa ele ainda? Pois quem jamais resistiu à sua vontade?
20  Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim?
21  Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro, para desonra?
22  Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição,
23  a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão,
24  os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?

  Filipenses 4.
7  E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus.

Que Deus abençoe, mais e mais!

No temor de Cristo, 
Pr. Sandro Márcio.

Ps.
O que achou da resposta? Foi satisfatória? Não atendeu sua necessidade? Quer que eu a melhore?
Posso postar a sua pergunta e a resposta no meu blog “Responda Pastor”?



Em 16/11, Suélia escreveu:

Pr Sandro,

As suas contribuições para o CompartiCHAT são sempre muito edificantes... é uma pena que não possa participar em real time...rsss.... mas espero suas considerações posteriores...

Sempre gostei muito da sua visão totalmente bíblica sobre os diversos temas que já compartilhamos.... e referente ao último CompartiCHAT que vc não pode participar e enviou um e-mail posteriormente... pra mim, foi muito bom e concluiu bem o assunto. Obrigada!

Uai, pastor, não sei o que aconteceu aki, mas já havia respondido sobre sua resposta à minha pergunta.... mas olhei aki em minhas "enviadas" e realmente não foi enviada a minha resposta.... não sei o que aconteceu. Inclusive, já entrei 2 vezes no seu blog pra ver se vc já tinha postado... mas eu nem tinha respondido....rsssss

Como sempre, gosto muito de sua palavra. Sua resposta à minha questão me proporcionou um entendimento maior da soberania de Deus. Como Deus é soberano!! minha mente limitada não pode compreender todos os seus pensamentos e desígnios, pois são infinitamente mais altos que os meus. Nunca tinha pensado dessa forma em relação à justiça de Deus e à minha dúvida em questão... te agradeço muito, pastor, minha dúvida foi esclarecida e vc pode postar em seu blog.

Que o Senhor continue te dando sabedoria e abençoando juntamente com sua família.
No amor do Pai,
Suélia

domingo, 9 de outubro de 2011

Sobre esta pedra edificarei a minha igreja...


“Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares na terra terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra terá sido desligado nos céus.  Mateus 16. 18, 19

Pastor Sandro, segundo a sua opinião, qual a melhor interpretação para o texto acima?
Pr. Wagner

Querido pastor,

Existem três interpretações muito defendidas acerca desta passagem.
A primeira e a mais conhecida é aquela argumentada pelo romanismo como sendo a declaração de Jesus como a primazia de Pedro sobre a Igreja e os demais apóstolos, denominando-o vigário, isto é, substituto de Cristo, e o primeiro papa.

A segunda é aquela que aceita a declaração como indicação do apóstolo Pedro como uma  importante pedra do alicerce da igreja primitiva, jamais comparando-o a Cristo, ou exaltando-o acima dos demais apóstolos.

A terceira é a que defende que a pedra sobre a qual Cristo disse que edificaria a Sua igreja, não é o próprio Pedro, e sim a sua declaração anterior acerca de Jesus:



Mateus 16.16  Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.



Quanto à primeira afirmação, podemos dizer que carece de apoio bíblico e histórico, pois nem Pedro foi chamado de vigário de Cristo e nem foi o fundador da igreja de Roma. É sabido que quando o apóstolo Pedro foi para Roma, já havia lá uma comunidade de Cristãos, certamente convertidos no dia de Pentecostes, relatado em Atos 2, e, lembremos que o único substituto (vigário) que Jesus, o Deus Filho, aceitou, como a sua presença permanente entre nós é o Espírito Santo, também conhecido como Deus Espírito.

Por isso foi que Jesus disse: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre,  o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco e estará em vós”.João 14. 16, 17.


Creio que, podemos aceitar a segunda interpretação como o mais correto e lógico entendimento da passagem, desde que não lhe confiramos uma importância além, que o próprio Pedro jamais desejou, como ele mesmo salientou a Cornélio em Atos 10. 25,26:
“Aconteceu que, indo Pedro a entrar, lhe saiu Cornélio ao encontro e, prostrando-se-lhe aos pés, o adorou.  Mas Pedro o levantou, dizendo: Ergue-te, que eu também sou homem”.

Isto posto não é errado afirmar que foi do agrado do Nosso Senhor chamar e usar homens para fundar a Sua obra evangélica no Novo Testamento, dentre eles Pedro e os demais apóstolos.

Jesus tanto disse de Pedro: “Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares na terra terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra terá sido desligado nos céus” (Mateus 16. 18, 19), como aos outros apóstolos ele falou: “Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra terá sido ligado nos céus, e tudo o que desligardes na terra terá sido desligado nos céus” (Mateus 18.18).

Com isso concordam as palavras de Paulo quando diz sobre os cristãos: Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas  concidadãos  dos Santos e da família de Deus;  edificados  sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina;  no qual todo o edifício, bem  ajustado, cresce para  templo santo no Senhor,  no qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus no Espírito. Efésios 2.19-22.

Assim vemos a enorme importância que tiveram os apóstolos e os profetas na formação da Igreja Cristã; posição que nenhum homem hoje pode tomar para si. Mas tomemos cuidado para não alçarmos o apóstolo Pedro a uma condição que jamais lhe pertenceu, pois em Mt 16 tanto Jesus chamou a Pedro de pedra de fundação, como logo a seguir o apontou como de pedra de tropeço:

Mateus 16:18  Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.
Mateus 16:23  Mas Jesus, voltando-se, disse a Pedro: Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens.

Veja também que os demais apóstolos, juntamente com Paulo, embora amassem e respeitassem a Pedro, não o tomavam como seu superior e nem mesmo como o detentor da última palavra, como exemplo dou-lhe o primeiro concílio da Igreja em Jerusalém, de Atos 15, onde os apóstolos Paulo e Pedro tiveram fala, mas a decisão final ficou por conta de Tiago, o irmão de Nosso Senhor , que, embora não fosse apóstolo, naquele tempo era o pastor em Jerusalém:

“E toda a multidão silenciou, passando a ouvir a Barnabé e a Paulo, que contavam quantos sinais e prodígios Deus fizera por meio deles entre os gentios. Depois que eles terminaram, falou Tiago, dizendo: Irmãos, atentai nas minhas palavras: expôs Simão como Deus, primeiramente, visitou os gentios, a fim de constituir dentre eles um povo para o seu nome. Conferem com isto as palavras dos profetas, como está escrito: Cumpridas estas coisas, voltarei e reedificarei o tabernáculo caído de Davi; e, levantando-o de suas ruínas, restaurá-lo-ei. Para que os demais homens busquem o Senhor, e também todos os gentios sobre os quais tem sido invocado o meu nome, diz o Senhor, que faz estas coisas conhecidas desde séculos. Pelo que, julgo eu, não devemos perturbar aqueles que, dentre os gentios, se convertem a Deus”. Atos 15. 12-19

Como exemplo mais impressionante da realidade que procuramos demonstrar temos a carta aos Gálatas onde Paulo fala abertamente  do momento em que ele precisou repreender o apóstolo Pedro:
“Quando, porém, Cefas veio a Antioquia, resisti -lhe face a face, porque se tornara repreensível. Com efeito, antes de chegarem alguns da parte de Tiago, comia com os gentios; quando, porém, chegaram, afastou-se e, por fim, veio a apartar -se, temendo os da circuncisão. E também os demais judeus dissimularam com ele, a ponto de o próprio Barnabé ter-se deixado levar pela dissimulação deles. Quando, porém, vi que não procediam corretamente segundo a verdade do evangelho, disse a Cefas, na presença de todos: se, sendo tu judeu, vives como gentio e não como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como judeus?” Gálatas 2:11-14.

Assim sendo, mesmo reafirmando o caráter importante e único dos verdadeiros apóstolos de Cristo na história da Igreja Cristã, jamais poderemos chamar algum deles de “vigário” (substituto) de Cristo. Pois todos somos pedras na Igreja de Cristo, uns mais outros menos importantes, enquanto Jesus é a única Principal e Fundamental Pedra da Sua Igreja.

Leiamos o que Pedro disse de Jesus: “Chegando-vos para ele, a  pedra que vive, rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa,  também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa  espiritual  para serdes sacerdócio santo, a  fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo.  Pois isso está na Escritura: Eis que ponho em Sião uma pedra angular, eleita e preciosa; e quem nela crer não será, de modo algum, envergonhado. Para vós outros, portanto, os que credes, é a preciosidade; mas, para os descrentes, A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular” 2 Pedro 2. 4-7.

Temos certa simpatia pela terceira interpretação, que salienta a declaração de Pedro acerca da divindade e da missão de Jesus, que é a nossa confissão de fé. Todavia, necessário se faz reconhecer que não é a interpretação mais natural para a passagem, e que tem como sua força principal a fuga ao erro do romanismo, ao qual não cederemos se nos atermos tão somente ao que a Bíblia ensina acerca dos limites da importância dos apóstolos.

Deste modo, sejamos pedras deste templo espiritual; mas, jamais esqueçamos que Cristo é a incomparável Pedra Principal, à qual ninguém, seja Pedro ou o papa, poderá se igualar ou substituir.