Espaço reservado à reflexão sobre questões que nos incomodam e nem sempre tivemos com quem nos aconselhar. Reflete a opinião de quem, embora não seja dono da verdade, se esforça por ser um servo fiel dela. Existe algo que sempre o incomodou e que ainda não encontrou resposta satisfatória? Este é o seu espaço, você poderá perguntar o que quiser e eu lhe direi o que penso, embasado na Bíblia Sagrada. Trazer-lhe a Palavra de Deus e tirar a sua dúvida, ajudando-o (a) a refletir acerca de seu dia-a-dia é o que mais desejo. Você pode usar o espaço "comentários" para enviar suas perguntas ou, se preferir, mande-as via e-mail: pr.sandromarcio@hotmail.com e aguarde a publicação da resposta no blog.
Que Deus nos ajude!

sábado, 12 de março de 2011

Posso ir à Festa?

Em 08 de Março, Cláudia escreveu:


Olá Pastor, bom dia! Gostaria que pudesse me ajudar com respeito ao assunto da E. Dominical do último domingo, quanto às coisas sacrificadas aos ídolos. Eu mesma me manifestei quanto a agirmos com amor para não gerar escândalo, mas, em Atos 15:28,29; 16:4; 21:25, afirmam sobre a necessidade de nos abstermos das coisas sacrificadas aos ídolos. Será que realmente podemos ir à uma festa junina sem que isso desagrade a Deus ou participarmos de refeições e festas pagãs, só para não magoarmos parentes e amigos?! 

Resposta:
Cara Cláudia,

Os textos bíblicos que você citou, bem como tantos outros, proíbem diretamente a idolatria.
Por idolatria devemos entender toda e qualquer espécie de culto que não seja única e exclusivamente dirigida às pessoas da Trindade Santíssima.
Contudo, assim como na igreja de Corinto, ainda hoje há dúvidas quanto à extensão do nosso cuidado.
Em Corinto havia o problema de pessoas que, sabendo que o ídolo não passa de uma estátua sem vida, e sem poder algum, iam aos templos pagãos e usufruíam de suas festas; enquanto outros por motivo de consciência não iam, mas se sentiam tentados a ir; e finalmente um grupo que mesmo não indo aos templos pagãos, tinha receio até de comer a carne que provinha dos templos, que normalmente era vendida a bom preço no mercado. 

I Coríntios Cap. 10

Em I Coríntios 10 o apóstolo Paulo conclui seu ensino dos capítulos 8 e 9, orientando os coríntios que:
- Eles não deviam comer carne nas festas religiosas dos templos pagãos, pois isto implica na identificação com os demônios, acarretando a ira de Deus.
14  Portanto, meus amados, fugi da idolatria.
15 ¶ Falo como a criteriosos; julgai vós mesmos o que digo.
16  Porventura, o cálice da bênção que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é a comunhão do corpo de Cristo?
17  Porque nós, embora muitos, somos unicamente um pão, um só corpo; porque todos participamos do único pão.
18  Considerai o Israel segundo a carne; não é certo que aqueles que se alimentam dos sacrifícios são participantes do altar?
19  Que digo, pois? Que o sacrificado ao ídolo é alguma coisa? Ou que o próprio ídolo tem algum valor?
20  Antes, digo que as coisas que eles sacrificam, é a demônios que as sacrificam e não a Deus; e eu não quero que vos torneis associados aos demônios.
21  Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios.
22  Ou provocaremos zelos no Senhor? Somos, acaso, mais fortes do que ele?

- Era-lhes permitido comer a carne que se vendia no mercado.
23 ¶ Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm; todas são lícitas, mas nem todas edificam.
24  Ninguém busque o seu próprio interesse, e sim o de outrem.
25  Comei de tudo o que se vende no mercado, sem nada perguntardes por motivo de consciência;
26  porque do Senhor é a terra e a sua plenitude.

- Eles poderiam comer na casa de amigos pagãos, desde que não ferisse a consciência de um fraco na fé.
27  Se algum dentre os incrédulos vos convidar, e quiserdes ir, comei de tudo o que for posto diante de vós, sem nada perguntardes por motivo de consciência.
28  Porém, se alguém vos disser: Isto é coisa sacrificada a ídolo, não comais, por causa daquele que vos advertiu e por causa da consciência;
29  consciência, digo, não a tua propriamente, mas a do outro. Pois por que há de ser julgada a minha liberdade pela consciência alheia?
30  Se eu participo com ações de graças, por que hei de ser vituperado por causa daquilo por que dou graças?

- Eles deveriam fazer tudo para a glória de Deus.
31  Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus.

- E, seguindo o exemplo do apóstolo, deviam sempre ter cuidado de não serem motivo de tropeço aos demais crentes.
32  Não vos torneis causa de tropeço nem para judeus, nem para gentios, nem tampouco para a igreja de Deus,
33  assim como também eu procuro, em tudo, ser agradável a todos, não buscando o meu próprio interesse, mas o de muitos, para que sejam salvos.
Cap. 11. 1 Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo.


Quanto a isto creio que todos os crentes estão de acordo; as diferenças começam quando uns entendem que festas, como a junina já não têm caráter religioso, sendo apenas uma manifestação cultural, enquanto outros ainda a vêem como devoção aos ídolos.

Mas, me diga, basicamente, o texto e as figuras abaixo, traçam um perfil correto acerca da moderna festa junina?

A Festa Junina é realizada em comemoração aos dias dos santos católicos:
Santo Antonio (13 de junho), São João (24 de junho) e São Pedro (29 de junho). 
São entoadas canções aos santos, é encenado o “casamento caipira” e a dança da quadrilha, em referência a Santo Antônio, o “santo casamenteiro”.
Essa festa aproxima as pessoas da igreja católica e de seus oficiais; as quermesses são importante campanha de fortalecimento das finanças da igreja.




Sendo assim, é conveniente que um cristão participe dessa festa?

Quanto à fazer o que os amigos desejam para não causar escândalo, veja que Paulo não se preocupa, primeiramente, com a opinião dos incrédulos e sim com a possibilidade de fazer um crente imaturo tropeçar. Responda com sinceridade: O que causa maior problema e escândalo na igreja, você ir ou não ir à uma festa junina?
Mas, acima de tudo, nossa maior preocupação deve ser em não provocar o zelo (ciúmes) do nosso Deus em nos ver “flertando” com os ídolos. 

Objeção: Mas, deste modo, jamais o apóstolo Paulo teria feito a famosa pregação no Areópago, que era um importante centro de idolatria em Atenas!
Resposta: Conheço crentes que, apesar de serem mal interpretados, se aproximam de drogados, de bandidos e de prostitutas, não para praticar seus pecados e sim para lhes falarem do amor de Deus, como fez Jesus Cristo. Bem, se você vai à festa junina para pregar o evangelho aos católicos, como fez Paulo com os atenienses, então está justificado! Mas, é isto o que os crentes estão fazendo lá???

“A fé que tens, tem-na para ti mesmo perante Deus. Bem-aventurado é aquele que não se condena naquilo que aprova”. Romanos 14:22

Que Deus a abençoe,

Pr. Sandro

quinta-feira, 10 de março de 2011

Compro ou Não Compro?

Recebi um e-mail intitulado “IGREJA 666 Isto é um ABSURDO!!!” 


Dizia a mensagem que o dono de uma empresa muito conhecida teria dado uma entrevista na TV onde assumiu pertencer à uma seita satanista sem receio nenhum de ter algum prejuízo nos negócios por tornar conhecida aos cristãos a sua opção religiosa. O autor do e-mail conclama aos cristão a demonstrar seu poder boicotando todos os produtos desse tal fabricante.
Eis minha resposta à mensagem recebida:
Querido irmão, li sua mensagem  e gostaria de refletir um pouco mais sobre seu conteúdo.
 É de se lamentar que alguém venha a público declarar sua obediência ao diabo e de “quebra” desafiar os cristãos a que tentem prejudicá-lo. Contudo reflitamos nas duas possibilidades:
1. E se não for verdade? -  2. E se isso for verdade?
 1. E se não for Verdade?
 É algo que de início se deve considerar, pois qualquer notícia que não contenha dados específicos (que nos permitam constatar a sua veracidade, como a data do fato, por exemplo, deve nos levar à cautela, pois, se não podemos provar o que dizemos, seremos facilmente chamados de caluniadores e fofoqueiros; e não é de todo impossível que a concorrente de uma determinada marca veicule falsas notícias na Internet para de alguma forma prejudicar as vendas daqueles produtos. Precisamos nos certificar de não nos tornarmos em massa de manobra de quem quer que seja!
Há um endereço na Internet que pretende provar que isso tudo não passa de lenda inventada pela concorrência para prejudicar a empresa, veja:
 http://www.quatrocantos.com/LENDAS/183_procter_gamble.htm
 2. E se for Verdade?
Caso, após acurada investigação, nós tenhamos certeza dos fatos narrados na mensagem, precisamos então nos posicionarmos como cristãos:
Como servos de Deus não devemos agir baseados nas provocações de um tolo!
Nós cristãos somos ordenados por Jesus a amar o inimigo e orar por aqueles que nos perseguem. Pouco tempo depois de Jesus dar essa ordem Ele mesmo chamou os inimigos humanos de “Sinagoga de Satanás” em referência aos judeus que perseguiam a Igreja, e lembremos que olhando para o Império Romano temos a evidência histórica de que o próprio Cezar romano exigia ser adorado como Deus, o que Jesus chamou de “Trono de Satanás”. Contudo, Jesus nunca ordenou um movimento de resistência contra o povo judeu ou romano, mas sim um movimento de evangelização para todo o mundo.
Jesus não mandou que nos afastássemos do mundo, mas apenas do pecado que nele há. O apóstolo Paulo afirma que o único jeito de não nos envolvermos com o mundo seria saindo dele. Por isso Jesus orou: Não peço que os tire do mundo, mas que os livreis do mal”. Nos tempos do Novo Testamento havia pessoas que defendiam o não pagamento de impostos ao governo romano, que era liderado por verdadeiros servos de Satanás. Todavia Jesus insistia em dizer: Dai a Cezar o que é de Cezar e a Deus o que é de Deus”.
O que quero dizer é que, do mesmo modo que quem pagava impostos ao satânico Cezar não estava só por causa disso servindo a Satanás, tampouco quem legalmente compra bons produtos de uma determinada companhia não está só por isso servindo ao diabo. É claro que somos livres para escolher comprar de outra marca, mas não podemos impor novas leis sobre os cristãos, leis estas que só trazem confusão e contenda, tornando pesada a consciência dos que são fracos na fé, que pecam não por comprar de tal marca, mas por comprar achando que é errado. Cada um é livre para comprar ou não. Se usarmos o raciocínio imposto na mensagem logo estaremos em triste situação, procurando saber sempre quem são os donos de cada empresa que fabrica um determinado produto, e descobriremos que são idólatras, espíritas, maçons, esotéricos, etc, pois, como disse Jesus “o mundo jaz no maligno”. Lembremos que em cada uma destas empresas há servos de Deus que honestamente ganham o seu sustento, que trabalham com dedicação e trazem seus dízimos à casa de Deus, e oram para que seu patrão encontre a salvação, pois, diante de Deus, seja ou não um membro de uma igreja satânica, sem Jesus ele já é um infeliz seguidor do maligno.
Oremos por ele!

 Com amor, no temor de Cristo,

Pr. Sandro

Existe Pregação Para os Mortos?

Pastor, boa noite.
A que mortos I Pedro 4.6 se refere??
Um abração.
Toja

Amado irmão João Toja,

O texto bíblico no qual se baseia a sua consulta:

I Pedro 4.4-6

4  Por isso, difamando-vos, estranham que não concorrais com eles ao mesmo excesso de devassidão,
5  os quais hão de prestar contas àquele que é competente para julgar vivos e mortos;
6  pois, para este fim, foi o evangelho pregado também a mortos, para que, mesmo julgados na carne segundo os homens, vivam no espírito segundo Deus.

Aqui o apóstolo Pedro exorta aos crentes que mantenham seu testemunho fiel, mesmo diante das calúnias, na certeza de que o verdadeiro julgamento não é o dos homens e sim o de Deus. Há um consolo para nós acerca daqueles que já morreram após terem crido em Cristo de que, embora tenham sido caluniados e condenados pelos homens, todavia, vivem eternamente com o Senhor!

É preciso ter cautela para não pensar que alguém receba a Jesus após a morte! 
Pedro fala dos que estavam mortos quando escreveu a epístola, e não que eles estavam mortos quando o evangelho lhes foi pregado, a não ser que ele estivesse usando a metáfora de Paulo, “mortos nos delitos e pecados”, o que me parece pouco provável!

Os que defendem que o evangelho foi pregado a pessoas já falecidas buscam apoio em I Pedro 3. 18-22

18 ¶ Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito,
19  no qual também foi e pregou aos espíritos em prisão,
20  os quais, noutro tempo, foram desobedientes quando a longanimidade de Deus aguardava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca, na qual poucos, a saber, oito pessoas, foram salvos, através da água,
21 ¶ a qual, figurando o batismo, agora também vos salva, não sendo a remoção da imundícia da carne, mas a indagação de uma boa consciência para com Deus, por meio da ressurreição de Jesus Cristo;
22  o qual, depois de ir para o céu, está à destra de Deus, ficando-lhe subordinados anjos, e potestades, e poderes.

Há pensadores cristãos que pretendem através desse texto demonstrar que Jesus, após a morte foi ao Inferno pregar o evangelho aos que morreram no Dilúvio de Noé. Entretanto, devemos lembrar que a Bíblia é a inspirada Palavra de Deus (2 Pedro 1.20, 21), que não pode se contradizer (Hebreus 6.18; Números 23.19; Salmo 16; Salmo 119), e qualquer interpretação que não apresente a uniformidade do ensino bíblico deve ser rejeitada (Gálatas 1.8,9)!

O que a Bíblia ensina sobre o destino dos ímpios?

Não há qualquer possibilidade de salvação daqueles que em vida não se arrependeram de seus pecados:
 
Salmos 1:6  Pois o SENHOR conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios perecerá.
Salmos 9:17  Os perversos serão lançados no inferno, e todas as nações que se esquecem de Deus.
Salmos 146:4  Sai-lhes o espírito, e eles tornam ao pó; nesse mesmo dia, perecem todos os seus desígnios.
Salmos 73. 17  até que entrei no santuário de Deus e atinei com o fim deles.
18  Tu certamente os pões em lugares escorregadios e os fazes cair na destruição.
19  Como ficam de súbito assolados, totalmente aniquilados de terror!
Daniel 12. 2  Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e horror eterno.
Mateus 10:28  Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo.
Mateus 23:33  Serpentes, raça de víboras! Como escapareis da condenação do inferno?
Mateus 25:41  Então, o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos.
Lucas 16. 25  Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro igualmente, os males; agora, porém, aqui, ele está consolado; tu, em tormentos.
26  E, além de tudo, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que querem passar daqui para vós outros não podem, nem os de lá passar para nós.
Marcos 16:16  Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado.

Romanos 2. 5  Mas, segundo a tua dureza e coração impenitente, acumulas contra ti mesmo ira para o dia da ira e da revelação do justo juízo de Deus,
6  que retribuirá a cada um segundo o seu procedimento:
7  a vida eterna aos que, perseverando em fazer o bem, procuram glória, honra e incorruptibilidade;
8  mas ira e indignação aos facciosos, que desobedecem à verdade e obedecem à injustiça.
9  Tribulação e angústia virão sobre a alma de qualquer homem que faz o mal, ao judeu primeiro e também ao grego;
10  glória, porém, e honra, e paz a todo aquele que pratica o bem, ao judeu primeiro e também ao grego.
11  Porque para com Deus não há acepção de pessoas.
12  Assim, pois, todos os que pecaram sem lei também sem lei perecerão; e todos os que com lei pecaram mediante lei serão julgados.

Hebreus 9:27 E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo.

Judas 1:7  como Sodoma, e Gomorra, e as cidades circunvizinhas, que, havendo-se entregado à prostituição como aqueles, seguindo após outra carne, são postas para exemplo do fogo eterno, sofrendo punição.
Apocalipse 20:14  Então, a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo.

Então, para onde Jesus foi logo após sua morte?

Ele entregou sua alma ao Deus-Pai, e não foi para o Inferno e sim para o Céu (Paraíso):

Isaías 53:12  Por isso, eu lhe darei muitos como a sua parte, e com os poderosos repartirá ele o despojo, porquanto derramou a sua alma na morte; foi contado com os transgressores; contudo, levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu.
Lucas 23:46  Então, Jesus clamou em alta voz: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito! E, dito isto, expirou.
No texto de Isaías, cumprido na morte de Jesus, morte (maveth) pode significar estado de morte ou morte violenta, mas, não inferno.

Salmos 16:10  Pois não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção.
Atos 2:27  porque não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção.
Nas línguas originais (hebraico e grego), as palavras usadas aqui para morte (sheol e hades) são as mesmas usadas para inferno.
Isto quer dizer que nem o corpo de Jesus se decompôs e nem Sua alma foi para o Inferno.

Lucas 23:43  Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.


Jesus não precisava ir para o Inferno para sofrer a condenação pelos nossos pecados; isto Ele fez na cruz:
Salmos 22:1 ¶ Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que se acham longe de minha salvação as palavras de meu bramido?
Mateus 27:46  Por volta da hora nona, clamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactâni? O que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?
Hebreus 7:27  que não tem necessidade, como os sumos sacerdotes, de oferecer todos os dias sacrifícios, primeiro, por seus próprios pecados, depois, pelos do povo; porque fez isto uma vez por todas, quando a si mesmo se ofereceu.
Hebreus 12:2  olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus.

1 Pedro 4:1 ¶ Ora, tendo Cristo sofrido na carne, armai-vos também vós do mesmo pensamento; pois aquele que sofreu na carne deixou o pecado,
João 19:30  Quando, pois, Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado! E, inclinando a cabeça, rendeu o espírito.

Jesus não precisava ir ao Inferno para declarar o perdão; Ele fez isto na cruz:
Colossenses 2:14  tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu- o inteiramente, encravando-o na cruz;

Jesus não precisava ir ao Inferno para triunfar sobre o mal, Ele fez isto na cruz:
Colossenses 2:15  e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz.

Jesus não precisava buscar os crentes mortos, pois eles já estavam salvos, porque, quando vivos, confiaram na promessa de Deus que enviaria seu Filho:
Gênesis 22:8  Respondeu Abraão: Deus proverá para si, meu filho, o cordeiro para o holocausto; e seguiam ambos juntos.
Mateus 8:11  Digo-vos que muitos virão do Oriente e do Ocidente e tomarão lugares à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no reino dos céus.
Lucas 20:38  Ora, Deus não é Deus de mortos, e sim de vivos; porque para ele todos vivem.
Hebreus 11:9  Pela fé, peregrinou na terra da promessa como em terra alheia, habitando em tendas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa;
Filipenses 3:20  Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo,
Hebreus 11:16  Mas, agora, aspiram a uma pátria superior, isto é, celestial. Por isso, Deus não se envergonha deles, de ser chamado o seu Deus, porquanto lhes preparou uma cidade.

DE TUDO O QUE VIMOS PODEMOS AFIRMAR QUE JESUS COMPLETOU SUA OBRA SALVADORA NA CRUZ DO CALVÁRIO, NÃO CABENDO QUALQUER IDÉIA DE QUE TENHA HAVIDO ALGUMA OBRA POSTERIOR A SER REALIZADA NO INFERNO!

Então, como explicar I Pedro 3. 18-22?

18 Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito,

Na Bíblia a expressão “carne” tem vários sentidos;
Aqui deve ser entendida como a natureza limitada, assumida pelo Filho de Deus na sua encarnação.
Como também em 1 João 4:2  Nisto reconheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus;

Vivificado no espírito indica sua condição de não-limitação, exercida antes da encarnação e após a ressurreição.
Conforme:
1 Coríntios 15:45  Pois assim está escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente. O último Adão, porém, é espírito vivificante.
João 17:5  e, agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo.

O ensino bíblico acerca de Jesus é que Ele, mesmo antes de sua encarnação, já revelava sua vontade aos homens, especialmente pela pregação dos profetas. Em outras palavras, os profetas do Antigo Testamento falavam inspirados pelo Espírito de Cristo, o Filho de Deus, aos homens que pelo fato de não se arrependerem, após a morte se encontram aprisionados no Inferno, aguardando o Juízo Final, conforme:

João 1. 18. Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou.

2 Pedro 1:20,21
20  sabendo, primeiramente, isto: que nenhuma profecia da Escritura provém de particular elucidação;
21  porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo.

Mateus 25:41  Então, o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos.
Apocalipse 20:14  Então, a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo.

Como pôde ser visto, não existe pregação para quem já morreu!

Aqueles que insistem no direito a uma “segunda chance” após a morte devem tomar cuidado, pois a Bíblia não apenas afirma a condenação dos contemporâneos de Noé, como assegura que, com igual surpresa e rigor, também serão condenados os infiéis que estiverem vivos por ocasião da Volta de Cristo!

Lucas 17.
26  Assim como foi nos dias de Noé, será também nos dias do Filho do Homem:
27  comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e veio o dilúvio e destruiu a todos.
28  O mesmo aconteceu nos dias de Ló: comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam;
29  mas, no dia em que Ló saiu de Sodoma, choveu do céu fogo e enxofre e destruiu a todos.
30  Assim será no dia em que o Filho do Homem se manifestar.

Um forte abraço,

Pr. Sandro

Ps. Creio que lhe seja útil ler a resposta da pergunta de 30/08/2010 – “A Bíblia Ensina que Noé Pregou Durante 120 Anos?”.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

O Amor Ágape

Em 07/02/1011

Jônatas perguntou:

Dentre os tipos de Amor, aos quais referem as Escrituras,  como devo entender o significado do Amor Ágape?


Querido irmão Jônatas,


Na língua grega, como em português, a palavra “Amor”, possui variadas formas e sentidos:

A grosso modo:

Filós – Geralmente trata acerca do amor fraternal, entre amigos;
Eros – Ligado ao sentimento de desejo e de interesse; 
Ágape  – Forma desprendida e desinteressada de se afeiçoar por alguém.
Stergô – Afeição humana, natural, cordial.

Durante muito tempo, e menos freqüentemente em nossos dias, defendia-se a rigorosa diferenciação dessas formas, cada vez que elas fossem encontradas nas Escrituras.

Daí a pregação de sermões que frisavam essas diferenças, em textos como João 21.15-17

“Depois de terem comido, perguntou Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de João, amas-me mais do que estes outros? Ele respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Ele lhe disse: Apascenta os meus cordeiros. Tornou a perguntar-lhe pela segunda vez: Simão, filho de João, tu me amas? Ele lhe respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Pastoreia as minhas ovelhas. Pela terceira vez Jesus lhe perguntou: Simão, filho de João, tu me amas? Pedro entristeceu-se por ele lhe ter dito, pela terceira vez: Tu me amas? E respondeu-lhe: Senhor, tu sabes todas as coisas, tu sabes que eu te amo. Jesus lhe disse: Apascenta as minhas ovelhas”.

Costumava-se reparar que as duas primeiras vezes que o Jesus Ressurreto perguntou se Pedro o amava usou o termo correspondente ao amor ágape, enquanto o apóstolo Pedro respondia que o amava com o amor filós (fraterno), então na terceira vez  Jesus pergunta usando o verbo correspondente ao amor fraterno e recebe a afirmativa de Pedro.
Ao final do sermão os pastores costumavam exortar a que desenvolvêssemos o amor ágape, desinteressado, mais adequado ao amor incondicional de Deus por nós!

Contudo, novos estudos foram realizados e viu-se que a Bíblia não faz rigorosa distinção entre as formas gregas da palavra amor. A este uso deu-se o nome de linguagem sinonímica, expressada quando as formas são empregadas meramente como sinônimas. Aqui mesmo nesta passagem de João, foram empregadas duas palavras gregas diferentes para saber, duas para apascentar e duas para ovelhas.

Mas isto não é tão moderno quanto se pensa; um exemplo clássico vem da versão grega do Antigo Testamento de 250 a.C, conhecida como Septuaginta (LXX), em II Samuel 1.26:
“Angustiado estou por ti, meu irmão Jônatas; tu eras amabilíssimo para comigo! Excepcional era o teu amor, ultrapassando o amor de mulheres.”

 Aqui, tanto o amor de Jônatas (amor de amigo, irmão, que normalmente receberia a forma de filós), como o amor de mulheres (conjugal, carnal, que normalmente teria a forma de Eros), recebem a palavra correspondente ao Ágape (amor puro, sem interesse), por isso nossa tradução, corretamente consta apenas a palavra amor, sem discernir Filós, Eros ou Ágape.


Ainda mais pode ser visto no Novo Testamento, que foi escrito num Grego Popular, conhecido como Koinê, quando não havia grande preocupação em diferenciar as palavras para amor. Assim como no moderno português, o amor é muito melhor demonstrado em atitudes do que pode ser expresso em palavras.

Muitos exemplos de linguagem sinonímica são encontrados justamente no Evangelho de João, revelando o estilo literário do apóstolo.

Confira as formas da palavra amor usadas nos versículos:


Deus amando o mundo (amor-ágape):

João 3:16  Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

O Pai amando os discípulos e eles amando a Cristo (amor-filós)
João 16:27  Porque o próprio Pai vos ama, visto que me tendes amado e tendes crido que eu vim da parte de Deus.

Os homens amando as trevas (amor-ágape)
João 3:19  O julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más.
João 12:25  Quem ama a sua vida perde-a; mas aquele que odeia a sua vida neste mundo preservá-la-á para a vida eterna.
João 12:43  porque amaram mais a glória dos homens do que a glória de Deus.

O Pai amando o Filho (amor-ágape):
João 3:35  O Pai ama ao Filho, e todas as coisas tem confiado às suas mãos.
João 10:17  Por isso, o Pai me ama, porque eu dou a minha vida para a reassumir.

O Pai amando o Filho (amor-filós):
João 5:20  Porque o Pai ama ao Filho, e lhe mostra tudo o que faz, e maiores obras do que estas lhe mostrará, para que vos maravilheis.

Jesus amava a Lázaro e suas irmãs (amor-filós)
João 11:3  Mandaram, pois, as irmãs de Lázaro dizer a Jesus: Senhor, está enfermo aquele a quem amas.
João 11:36  Então, disseram os judeus: Vede quanto o amava.

Jesus amava a Lázaro e suas irmãs (amor-ágape)
João 11:5  Ora, amava Jesus a Marta, e a sua irmã, e a Lázaro.

Jesus ordenando o amor entre os discípulos (amor-ágape)
João 13:34  Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros.
João 15:12  O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei.

Creio que, com isto, pôde ser demonstrado que, a rigor, não se deve fazer distinção entre as palavras que são intercambiáveis, isto é, que podem ser usadas popularmente, sem maiores preocupações.

Daí, posso afirmar que a ordem e o exemplo de Cristo e do Pai dados a nós é que  amemos verdadeiramente!

“Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade” I João 3.18.

Fraternalmente em Cristo,

Pr. Sandro Márcio

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A Parábola do Administrador Infiel

A irmã Luciana solicita:
Pastor, pode me esclarecer a parábola do “Administrador Infiel”?

Resposta:

Cara irmã, eis o texto e a seguinte explicação,

Lucas 16. 1-15

1 Disse Jesus também aos discípulos: Havia um homem rico que tinha um administrador; e este lhe foi denunciado como quem estava a defraudar os seus bens.
2 Então, mandando-o chamar, lhe disse: Que é isto que ouço a teu respeito? Presta contas da tua administração, porque já não podes mais continuar nela.
3  Disse o administrador consigo mesmo: Que farei, pois o meu senhor me tira a administração? Trabalhar na terra não posso; também de mendigar tenho vergonha.
4  Eu sei o que farei, para que, quando for demitido da administração, me recebam em suas casas.
5  Tendo chamado cada um dos devedores do seu senhor, disse ao primeiro: Quanto deves ao meu patrão?
6 Respondeu ele: Cem cados de azeite. Então, disse: Toma a tua conta, assenta-te depressa e escreve cinqüenta.
7 Depois, perguntou a outro: Tu, quanto deves? Respondeu ele: Cem coros de trigo. Disse-lhe: Toma a tua conta e escreve oitenta.
8 E elogiou o senhor o administrador infiel porque se houvera atiladamente, porque os filhos do mundo são mais hábeis na sua própria geração do que os filhos da luz.
9 E eu vos recomendo: das riquezas de origem iníqua fazei amigos; para que, quando aquelas vos faltarem, esses amigos vos recebam nos tabernáculos eternos.
10 Quem é fiel no pouco também é fiel no muito; e quem é injusto no pouco também é injusto no muito.
11 Se, pois, não vos tornastes fiéis na aplicação das riquezas de origem injusta, quem vos confiará a verdadeira riqueza?
12 Se não vos tornastes fiéis na aplicação do alheio, quem vos dará o que é vosso?
13 Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.
14  Os fariseus, que eram avarentos, ouviam tudo isto e o ridiculizavam.
15  Mas Jesus lhes disse: Vós sois os que vos justificais a vós mesmos diante dos homens, mas Deus conhece o vosso coração; pois aquilo que é elevado entre homens é abominação diante de Deus.


ENTENDENDO O CONTEXTO:


- O administrador infiel


O administrador, do grego “ecônomo”, era o gerente particular dos negócios de alguém, e, como tal, tinha liberdade de fazer negócios em nome do verdadeiro proprietário. Com toda a autoridade concedida, onde não havia a devida fiscalização, não era incomum que ocorressem desvios de dinheiro.


- Em Israel era proibido um israelita emprestar com juros a outro israelita, conforme:

Êxodo 22: 25 - Se emprestares dinheiro ao meu povo, ao pobre que está contigo, não te haverás com ele como credor que impõe juros.
Levítico 25: 35 – 37 - Se teu irmão empobrecer, e as suas forças decaírem, então, sustentá-lo-ás. Como estrangeiro e peregrino ele viverá contigo. Não receberás dele juros nem ganho; teme, porém, ao teu Deus, para que teu irmão viva contigo. Não lhe darás teu dinheiro com juros, nem lhe darás o teu mantimento por causa de lucro.
Deuteronômio 23: 19-20 - A teu irmão não emprestarás com juros, seja dinheiro, seja comida ou qualquer coisa que é costume se emprestar com juros. Ao estrangeiro emprestarás com juros, porém a teu irmão não emprestarás com juros, para que o SENHOR, teu Deus, te abençoe em todos os teus empreendimentos na terra a qual passas a possuir.

- Mesmo assim, os juros eram “imbutidos” na negociação


Entre os israelitas, embora fosse errado, era comum inserir os juros no valor a ser recebido, como se fosse a conta do que fora emprestado. A pessoa que estivesse precisando de empréstimo, por necessidade acabava concordando com este tipo comum de trapaça. O administrador poderia fazer isso com ou sem a permissão do patrão.

- Para conquistar novos amigos, é feita uma renegociação, agora, sem os juros
Tanto pela falta de tempo, quanto pela manobra arriscada, o administrador tem pressa em refazer as contas. Fazendo assim, mesmo diminuindo os lucros do patrão, ele passa a impressão de ser homem justo, que se esforça por cumprir a lei, ganhando a simpatia dos devedores.

- O patrão elogia a esperteza do empregado, pois se vê obrigado a aceitar a renegociação.
Ao saber do feito, ao patrão só cabe aceitar, pois,
a)      Tudo foi realizado enquanto o administrador ainda tinha autoridade dada por ele para o gerenciamento de seus negócios;
b)  Os papéis da primeira negociação já não existiam mais;
c)      Não aceitar seria assumir publicamente seu descumprimento da Lei;
d)      Aceitando, o patrão daria a todos a impressão de que fora ele que ordenara a renegociação para o cumprimento da Lei, levando a crer que ele também fosse um homem justo.

MOTIVAÇÕES, CONDUTA E CONSEQUÊNCIAS:

- Ao contrário do que alguns possam afirmar, o administrador era mesmo infiel.
a)      Foi assim acusado;
b)      O patrão acreditou na acusação;
c)      Ele nem tentou se defender;
d)      Remarcou arbitrariamente os valores;
e)      Jesus se referiu a ele como “administrador infiel”.

Diante da notícia da sua iminente demissão, considerou as possibilidades:
a)      Trabalhar na terra
b)      Viver de mendicância
c)      Fazer amigos que o ajudassem de boa vontade

Considerada a melhor alternativa, passa rapidamente à execução de seu plano, enquanto ainda podia.
a)      Chamou um a um os devedores do seu senhor
b)      Refez os contratos de dívida
c)      Diminuiu os valores das dívidas
d)      Entregou as contas refeitas ao seu senhor

Ao final da história recebe:
a)      A gratidão dos devedores
b)      O elogio do patrão
c)      A recomendação de Jesus para que o imitemos

Características do administrador apontadas por Jesus:

O administrador era infiel (do grego: adikias – iníquo, injustos, sem retidão)
O administrador era hábil e agiu atiladamente  (do grego frônimos – sábio, prudente, esperto)


É claro que o nosso Senhor jamais nos mandaria que sejamos infiéis; já a prudência é costumeiramente ordenada na Escritura Sagrada.

Algumas passagens do Novo Testamento onde se recomenda que sejamos prudentes (frônimos e outros termos da mesma raiz grega da palavra):

Mateus 7:24  Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha;

Mateus 10:16 Eis que eu vos envio como ovelhas para o meio de lobos; sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas

Lucas 1:17  E irá adiante do Senhor no espírito e poder de Elias, para converter o coração dos pais aos filhos, converter os desobedientes à prudência dos justos e habilitar para o Senhor um povo preparado.

Lucas 12:42  Disse o Senhor: Quem é, pois, o mordomo fiel e prudente, a quem o senhor confiará os seus conservos para dar-lhes o sustento a seu tempo?

Tito 3:8  Fiel é esta palavra, e quero que, no tocante a estas coisas, faças afirmação, confiadamente, para que os que têm crido em Deus sejam solícitos na prática de boas obras. Estas coisas são excelentes e proveitosas aos homens.


Mas, de que modo este administrador infiel serve de exemplo a ser seguido?

No versículo oito encontramos a expressa recomendação do Senhor Jesus:

E eu vos recomendo: das riquezas de origem iníqua fazei amigos; para que, quando aquelas vos faltarem, esses amigos vos recebam nos tabernáculos eternos.

Assim como o administrador infiel percebeu que os bens materiais podem proporcionar benefícios às pessoas que desejamos como amigas, também nós devemos fazer uso dos bens que dispomos para ajudar o próximo, não por interesse, como fez o administrador, mas de boa vontade, como prova de amor e fé.

Confira com Tiago 2, 15-17
Se um irmão ou uma irmã estiverem carecidos de roupa e necessitados do alimento cotidiano, e qualquer dentre vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, sem, contudo, lhes dar o necessário para o corpo, qual é o proveito disso? Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta.

Deste modo, com esta parábola Jesus nos ensina que precisamos ser mais prudentes em nosso modo de viver, usando o dinheiro não apenas para garantir nosso sustento, mas, de forma planejada, usá-lo para fazer bem ao próximo, pois foi esta a única coisa boa que aquele administrador realizou. Se o dinheiro nas mãos de um empresário astuto pode fazer algum bem ao próximo, ainda que com motivações materialistas e desonestas (lavagem de dinheiro, dedução do imposto de renda, marketing, etc), o que se pode esperar de crentes honestos e amorosos, desejosos de fazer o bem?

Que Deus a abençoe,

Pr. Sandro Márcio.