Pr.sandro
marcio, gostaria que, se possivel fosse, o amado pastor explicar-se
"Eclesiaste 3.18-21" grato.lucelio gomes
Bom dia, querido irmão Lucélio.
Antes de falar especificamente
sobre o texto em questão, entendo ser necessário algum esclarecimento sobre o
livro de Eclesiastes.
Eclesiastes significa pregador, ou aquele que chama as
pessoas para uma reunião.
O autor, inspirado por Deus, provavelmente Salomão, cf.
1.11,12,16 e 2:9, em suas andanças e pesquisas sobre o que acontece aos homens
que vivem debaixo do sol ou do céu (cf. Eclesiastes 1:3,9,13,14; 2:3,11,17,18,19,20,22; 3:1,16; 4:1,3,7,15;
5:13,18; 6:1,12; 7:6; 8:9,15,17; 9:3,6,9,11,13 e 10:5), fazendo uso da
prodigiosa sabedoria que Deus lhe deu, nos dá excelentes conselhos acerca do
bem viver.
Por exemplo:
2. 24 Nada há
melhor para o homem do que comer, beber e fazer que a sua alma goze o bem do
seu trabalho. No entanto, vi também que isto vem da mão de Deus,
25 pois, separado
deste, quem pode comer ou quem pode alegrar-se?
3. 1 Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para
todo propósito debaixo do céu:
4. 9 Melhor é serem
dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho.
10 Porque se
caírem, um levanta o companheiro; ai, porém, do que estiver só; pois, caindo,
não haverá quem o levante.
5. 1 Guarda o pé, quando entrares na Casa de Deus;
chegar-se para ouvir é melhor do que oferecer sacrifícios de tolos, pois não
sabem que fazem mal.
2 Não te precipites
com a tua boca, nem o teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma diante
de Deus; porque Deus está nos céus, e tu, na terra; portanto, sejam poucas as
tuas palavras.
7. 5 Melhor é ouvir
a repreensão do sábio do que ouvir a canção do insensato.
9. 9 Goza a vida
com a mulher que amas, todos os dias de tua vida fugaz, os quais Deus te deu
debaixo do sol; porque esta é a tua porção nesta vida pelo trabalho com que te
afadigaste debaixo do sol.
10 Tudo quanto te
vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque no além, para
onde tu vais, não há obra, nem projetos, nem conhecimento, nem sabedoria
alguma.
Além disso, o Eclesiastes trata de uma situação difícil de
entender e mais ainda de aceitar (principalmente para muitos crentes hoje em
dia) que é a falta de justiça que acompanha a sociedade humana e, muitas vezes
perdura até a morte do indivíduo, dando o mesmo o fim tanto às pessoas boas
quanto às más e até mesmo a inversão, quando, nesta vida, o homem bom sofre males, enquanto o malvado recebe o
bem como recompensa imediata dos seus atos.
Confira:
1.16 Pois, tanto do sábio como do estulto, a memória não
durará para sempre; pois, passados alguns dias, tudo cai no esquecimento. Ah!
Morre o sábio, e da mesma sorte, o estulto!
4. 1 Vi ainda todas as opressões que se fazem debaixo do
sol: vi as lágrimas dos que foram oprimidos, sem que ninguém os consolasse; vi
a violência na mão dos opressores, sem que ninguém consolasse os oprimidos.
5. 8 Se vires em
alguma província opressão de pobres e o roubo em lugar do direito e da justiça,
não te maravilhes de semelhante caso; porque o que está alto tem acima de si
outro mais alto que o explora, e sobre estes há ainda outros mais elevados que
também exploram.
7. 7 Verdadeiramente, a opressão faz endoidecer até o
sábio, e o suborno corrompe o coração.
15 Tudo isto vi nos
dias da minha vaidade: há justo que perece na sua justiça, e há perverso que
prolonga os seus dias na sua perversidade.
20 Não há homem
justo sobre a terra que faça o bem e que não peque.
8. 6 Porque para
todo propósito há tempo e modo; porquanto é grande o mal que pesa sobre o
homem.
7 Porque este não
sabe o que há de suceder; e, como há de ser, ninguém há que lho declare.
9 Tudo isto vi quando me apliquei a toda obra que se faz
debaixo do sol; há tempo em que um homem tem domínio sobre outro homem, para
arruiná-lo.
10 Assim também vi
os perversos receberem sepultura e entrarem no repouso, ao passo que os que
frequentavam o lugar santo foram esquecidos na cidade onde fizeram o bem;
também isto é vaidade.
11 Visto como se
não executa logo a sentença sobre a má obra, o coração dos filhos dos homens
está inteiramente disposto a praticar o mal.
9. 2 Tudo sucede
igualmente a todos: o mesmo sucede ao justo e ao perverso; ao bom, ao puro e ao
impuro; tanto ao que sacrifica como ao que não sacrifica; ao bom como ao
pecador; ao que jura como ao que teme o juramento.
3 Este é o mal que
há em tudo quanto se faz debaixo do sol: a todos sucede o mesmo; também o
coração dos homens está cheio de maldade, nele há desvarios enquanto vivem;
depois, rumo aos mortos.
11 Vi ainda debaixo do sol que não é dos ligeiros o
prêmio, nem dos valentes, a vitória, nem tampouco dos sábios, o pão, nem ainda
dos prudentes, a riqueza, nem dos inteligentes, o favor; porém tudo depende do
tempo e do acaso.
12 Pois o homem não
sabe a sua hora. Como os peixes que se apanham com a rede traiçoeira e como os
passarinhos que se prendem com o laço, assim se enredam também os filhos dos
homens no tempo da calamidade, quando cai de repente sobre eles.
10. 5 Ainda há um
mal que vi debaixo do sol, erro que procede do governador:
6 o tolo posto em
grandes alturas, mas os ricos assentados em lugar baixo.
11. 8 Ainda que o
homem viva muitos anos, regozije-se em todos eles; contudo, deve lembrar-se de
que há dias de trevas, porque serão muitos. Tudo quanto sucede é vaidade.
12. 1 Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade,
antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais dirás: Não tenho
neles prazer;
Daí a insistência na palavra “vaidade” que ocorre por
cerca de 40 vezes em Eclesiastes, denunciando que todos os planos e realizações
nesse mundo, sem a mente posta na eterna Justiça de Deus não passam de vaidade
e correr atrás do vento, uma temporária ilusão, que, fatalmente se desfará na
morte.
Conforme:
1:2 Vaidade de
vaidades, diz o Pregador; vaidade de vaidades, tudo é vaidade.
1:14 Atentei para
todas as obras que se fazem debaixo do sol, e eis que tudo era vaidade e correr
atrás do vento.
2:1 Disse comigo: vamos! Eu te provarei com a alegria;
goza, pois, a felicidade; mas também isso era vaidade.
2:11 Considerei
todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também o trabalho que eu, com
fadigas, havia feito; e eis que tudo era vaidade e correr atrás do vento, e
nenhum proveito havia debaixo do sol.
2:15 Pelo que disse eu comigo: como acontece ao estulto,
assim me sucede a mim; por que, pois, busquei eu mais a sabedoria? Então, disse
a mim mesmo que também isso era vaidade.
2:17 Pelo que aborreci a vida, pois me foi penosa a obra
que se faz debaixo do sol; sim, tudo é vaidade e correr atrás do vento.
2:19 E quem pode dizer se será sábio ou estulto? Contudo,
ele terá domínio sobre todo o ganho das minhas fadigas e sabedoria debaixo do
sol; também isto é vaidade.
2:21 Porque há homem cujo trabalho é feito com sabedoria,
ciência e destreza; contudo, deixará o seu ganho como porção a quem por ele não
se esforçou; também isto é vaidade e grande mal.
2:23 Porque todos os seus dias são dores, e o seu
trabalho, desgosto; até de noite não descansa o seu coração; também isto é vaidade.
2:26 Porque Deus dá
sabedoria, conhecimento e prazer ao homem que lhe agrada; mas ao pecador dá
trabalho, para que ele ajunte e amontoe, a fim de dar àquele que agrada a Deus.
Também isto é vaidade e correr atrás do vento.
3:19 Porque o que sucede aos filhos dos homens sucede aos
animais; o mesmo lhes sucede: como morre um, assim morre o outro, todos têm o
mesmo fôlego de vida, e nenhuma vantagem tem o homem sobre os animais; porque
tudo é vaidade.
4:4 Então, vi que todo trabalho e toda destreza em obras
provêm da inveja do homem contra o seu próximo. Também isto é vaidade e correr
atrás do vento.
4:7 Então, considerei outra vaidade debaixo do sol,
4:8 isto é, um homem sem ninguém, não tem filho nem irmã;
contudo, não cessa de trabalhar, e seus olhos não se fartam de riquezas; e não
diz: Para quem trabalho eu, se nego à minha alma os bens da vida? Também isto é
vaidade e enfadonho trabalho.
4:16 Era sem conta
todo o povo que ele dominava; tampouco os que virão depois se hão de regozijar
nele. Na verdade, que também isto é vaidade e correr atrás do vento.
5:7 Porque, como na
multidão dos sonhos há vaidade, assim também, nas muitas palavras; tu, porém,
teme a Deus.
5:10 Quem ama o
dinheiro jamais dele se farta; e quem ama a abundância nunca se farta da renda;
também isto é vaidade.
6:2 o homem a quem
Deus conferiu riquezas, bens e honra, e nada lhe falta de tudo quanto a sua
alma deseja, mas Deus não lhe concede que disso coma; antes, o estranho o come;
também isto é vaidade e grave aflição.
6:9 Melhor é a
vista dos olhos do que o andar ocioso da cobiça; também isto é vaidade e correr
atrás do vento.
6:11 É certo que há muitas coisas que só aumentam a vaidade,
mas que aproveita isto ao homem?
6:12 Pois quem sabe o que é bom para o homem durante os
poucos dias da sua vida de vaidade, os quais gasta como sombra? Quem pode
declarar ao homem o que será depois dele debaixo do sol?
7:6 Pois, qual o
crepitar dos espinhos debaixo de uma panela, tal é a risada do insensato;
também isto é vaidade.
7:15 Tudo isto vi
nos dias da minha vaidade: há justo que perece na sua justiça, e há perverso
que prolonga os seus dias na sua perversidade.
8:10 Assim também
vi os perversos receberem sepultura e entrarem no repouso, ao passo que os que
frequentavam o lugar santo foram esquecidos na cidade onde fizeram o bem;
também isto é vaidade.
8:14 Ainda há outra vaidade sobre a terra: justos a quem
sucede segundo as obras dos perversos, e perversos a quem sucede segundo as
obras dos justos. Digo que também isto é vaidade.
11:8 Ainda que o homem viva muitos anos, regozije-se em
todos eles; contudo, deve lembrar-se de que há dias de trevas, porque serão
muitos. Tudo quanto sucede é vaidade.
11:10 Afasta, pois, do teu coração o desgosto e remove da
tua carne a dor, porque a juventude e a primavera da vida são vaidade.
12:8 Vaidade de vaidade,
diz o Pregador, tudo é vaidade.
Assim, uma das principais mensagens que encontramos no
livro de Eclesiastes é que o Senhor nos ordena fazer o que é certo pois, apesar
das aparências, devemos confiar que Deus, no tempo certo, há de fazer a Justiça
triunfar, ainda que seja apenas na eternidade!
3:17 Então, disse
comigo: Deus julgará o justo e o perverso; pois há tempo para todo propósito e
para toda obra.
11. 9 Alegra-te,
jovem, na tua juventude, e recreie-se o teu coração nos dias da tua mocidade;
anda pelos caminhos que satisfazem ao teu coração e agradam aos teus olhos;
sabe, porém, que de todas estas coisas Deus te pedirá contas.
12: 7 e o pó volte
à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu.
12:14 Porque Deus
há de trazer a juízo todas as obras, até as que estão escondidas, quer sejam
boas, quer sejam más.
Eclesiastes 3:11 Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até ao fim.
Eclesiastes 3:14 Sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente; nada se lhe pode acrescentar e nada lhe tirar; e isto faz Deus para que os homens temam diante dele.
Eclesiastes 12:5 como também quando temeres o que é alto, e te espantares no caminho, e te embranqueceres, como floresce a amendoeira, e o gafanhoto te for um peso, e te perecer o apetite; porque vais à casa eterna, e os pranteadores andem rodeando pela praça;
Nossa esperança de Justiça prossegue para além desta vida,
como disse o servo Jó:
Porque eu sei que o meu Redentor
vive e por fim se levantará sobre a terra. Depois, revestido este meu corpo da
minha pele, em minha carne verei a Deus. Vê-lo-ei por mim mesmo, os meus olhos
o verão, e não outros; de saudade me desfalece o coração dentro de mim. Jó 19.
25-27
Isto é, sem sombra
de dúvidas, um duro e necessário golpe na moderna crendice de que basta se
tornar crente para que todos os seus sonhos se realizem já nesta vida!
Infelizmente, muitos crentes nem sequer cogitam a ordem de
nosso Senhor para que tomem a cruz (sofrimento) e o sigam!
Quanto ao texto específico de
Eclesiastes 3. 18-21,
Veja que o versículo 18 diz: ...
é por causa dos filhos dos homens...
Então perguntamos: Isto o quê é
por causa?
O que nos leva aos versículos anteriores, 16 e 17.
16 Vi ainda debaixo do sol que no lugar do juízo reinava a
maldade e no lugar da justiça, maldade ainda.
17 Então, disse comigo: Deus julgará o justo e o perverso;
pois há tempo para todo propósito e para toda obra.
[e então]
18 Disse ainda comigo: é por causa dos filhos dos homens,
para que Deus os prove, e eles vejam que são em si mesmos como os animais.
19 Porque o que sucede aos filhos dos homens sucede aos
animais; o mesmo lhes sucede: como morre um, assim morre o outro, todos têm o
mesmo fôlego de vida, e nenhuma vantagem tem o homem sobre os animais; porque
tudo é vaidade.
20 Todos vão para o mesmo lugar; todos procedem do pó e ao
pó tornarão.
21 Quem sabe se o fôlego de vida dos filhos dos homens se
dirige para cima e o dos animais para baixo, para a terra?
22 Pelo que vi não haver coisa melhor do que alegrar-se o
homem nas suas obras, porque essa é a sua recompensa; quem o fará voltar para
ver o que será depois dele?
É neste contexto da ineficiência ou mesmo ausência da
plena justiça entre os homens que o Pregador (eclesiastes) é obrigado a assumir
que, do que é perceptível debaixo do céu, isto é, no mundo em que vivemos, a
vida e a morte humanas pouco diferem das dos animais. Pois, com os olhos
humanos, neste mundo que nos cerca, não podemos vislumbrar a verdadeira Justiça
de Deus, que só será plenamente contemplada no dia do Juízo.
Assim, o livro de Eclesiastes não ensina que com a morte
ocorre o “sono da alma” ou o completo aniquilamento, como alguns pensam, e sim que
a morte representa a nossa determinante retirada deste cenário e, ao menos para
nós, em relação ao que se faz debaixo do sol, é o final de tudo aquilo para o que,
arrogantemente, pensamos ter algum domínio!
Com isto cooperam as palavras de Jesus no Evangelho:
Mas
Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens
preparado, para quem será? Lucas 12:20
Espero
ter sanado sua dúvida!
Um
forte abraço,
Pr.
Sandro Márcio