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terça-feira, 2 de agosto de 2011

Posso me casar com alguém "divorciado"?

Rev.  Sandro
Bom dia...Deus o abençoe

Olha só depois daquele debate de casamento  no chat... fiquei com algumas duvidas..

eu solteira .. se por acaso aparecer um divorciado na minha vida , mas  motivo do divorcio não tenha sido traição da esposa, não esta correto....???

se for isto quer dizer que um divorciado( sem ser traido) só pode se casar novamente se for com quem ele se divorciou???

obrigada
Rosi


Resposta.

Querida irmã Rosi,
A nossa confissão de Fé de Westminster, amparada nas Escrituras Sagradas instrui:

CAPÍTULO XXIV
DO MATRIMÔNIO E DO DIVÓRCIO
I. O casamento deve ser entre um homem e uma mulher; ao homem não é licito ter mais de urna mulher nem à mulher mais de um marido, ao mesmo tempo.
Ref. Gen. 2:24
Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne.

Mat. 19:4-10
4 Então, respondeu ele: Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher
5 e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne?
6 De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.
7  Replicaram-lhe: Por que mandou, então, Moisés dar carta de divórcio e repudiar?
8  Respondeu-lhes Jesus: Por causa da dureza do vosso coração é que Moisés vos permitiu repudiar vossa mulher; entretanto, não foi assim desde o princípio.
9  Eu, porém, vos digo: quem repudiar sua mulher, não sendo por causa de relações sexuais ilícitas, e casar com outra comete adultério e o que casar com a repudiada comete adultério.
10  Disseram-lhe os discípulos: Se essa é a condição do homem relativamente à sua mulher, não convém casar.

Rom. 7:2,3.
2  Ora, a mulher casada está ligada pela lei ao marido, enquanto ele vive; mas, se o mesmo morrer, desobrigada ficará da lei conjugal.
3  De sorte que será considerada adúltera se, vivendo ainda o marido, unir-se com outro homem; porém, se morrer o marido, estará livre da lei e não será adúltera se contrair novas núpcias.

II. O matrimônio foi ordenado para o mútuo auxílio de marido e mulher, para a propagação da raça humana por uma sucessão legítima e da Igreja por uma semente santa, e para impedir a impureza.

Ref. Gen. 2:18
Disse mais o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea.
Gen 9:1
Abençoou Deus a Noé e a seus filhos e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos e enchei a terra. 

Mal.2:15
Não fez o SENHOR um, mesmo que havendo nele um pouco de espírito? E por que somente um? Ele buscava a descendência que prometera. Portanto, cuidai de vós mesmos, e ninguém seja infiel para com a mulher da sua mocidade.

I Cor. 7:2,9.
2  mas, por causa da impureza, cada um tenha a sua própria esposa, e cada uma, o seu próprio marido.
9  Caso, porém, não se dominem, que se casem; porque é melhor casar do que viver abrasado.

III. A todos os que são capazes de dar um consentimento ajuizado, é lícito casar; mas é dever dos cristãos casar somente no Senhor; portanto, os que professam a verdadeira religião reformada não devem casar-se com infiéis, papistas ou outros idólatras; nem devem os piedosos prender-se desigualmente pelo jugo do casamento aos que são notoriamente ímpios em suas vidas ou que mantém heresias perniciosas.
Ref. Heb. 13:4
Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula; porque Deus julgará os impuros e adúlteros.
I Tim. 4:1-3
1 Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios,
2  pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência,
3  que proíbem o casamento e exigem abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos, com ações de graças, pelos fiéis e por quantos conhecem plenamente a verdade;

Gen.24:57-58
57  Disseram: Chamemos a moça e ouçamo-la pessoalmente.
58  Chamaram, pois, a Rebeca e lhe perguntaram: Queres ir com este homem? Ela respondeu: Irei.

I Cor. 7:39
A mulher está ligada enquanto vive o marido; contudo, se falecer o marido, fica livre para casar com quem quiser, mas somente no Senhor.

II Cor. 6:14.
14 Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniqüidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas?
15  Que harmonia, entre Cristo e o Maligno? Ou que união, do crente com o incrédulo?

I Cor 5.11  
Mas, agora, vos escrevo que não vos associeis com alguém que, dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com esse tal, nem ainda comais.

IV. Não devem casar-se as pessoas entre as quais existem os graus de consagüinidade ou afinidade proibidos na palavra de Deus, tais casamentos incestuosos jamais poderão tornar-se lícitos pelas leis humanas ou consentimento das partes, de modo a poderem coabitar como marido e mulher.
Ref. I Cor. 5:1
Geralmente, se ouve que há entre vós imoralidade e imoralidade tal, como nem mesmo entre os gentios, isto é, haver quem se atreva a possuir a mulher de seu próprio pai.

Mar. 6:18
Pois João lhe dizia: Não te é lícito possuir a mulher de teu irmão.


Lev. 20:19-21
19  Também a nudez da irmã de tua mãe ou da irmã de teu pai não descobrirás; porquanto descobriu a nudez da sua parenta, sobre si levarão a sua iniqüidade.
20  Também se um homem se deitar com a sua tia, descobriu a nudez de seu tio; seu pecado sobre si levarão; morrerão sem filhos.
21  Se um homem tomar a mulher de seu irmão, imundícia é; descobriu a nudez de seu irmão; ficarão sem filhos.


V. O adultério ou fornicação cometida depois de um contrato, sendo descoberto antes do casamento, dá à parte inocente justo motivo de dissolver o contrato; no caso de adultério depois do casamento, à parte inocente é lícito propor divórcio, e depois de obter o divórcio casar com outrem, como se a parte infiel fosse morta.
Ref. Mat, 1: 18-20
18 Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: estando Maria, sua mãe, desposada com José, sem que tivessem antes coabitado, achou-se grávida pelo Espírito Santo.
19  Mas José, seu esposo, sendo justo e não a querendo infamar, resolveu deixá-la secretamente.
20  Enquanto ponderava nestas coisas, eis que lhe apareceu, em sonho, um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo.


5:32
Eu, porém, vos digo: qualquer que repudiar sua mulher, exceto em caso de relações sexuais ilícitas, a expõe a tornar-se adúltera; e aquele que casar com a repudiada comete adultério.

19:9
Eu, porém, vos digo: quem repudiar sua mulher, não sendo por causa de relações sexuais ilícitas, e casar com outra comete adultério e o que casar com a repudiada comete adultério.

VI. Posto que a corrupção do homem seja tal que o incline a procurar argumentos a fim de indevidamente separar aqueles que Deus uniu em matrimônio, contudo só é causa suficiente para dissolver os laços do matrimônio o adultério ou uma deserção tão obstinada que não possa ser remediada nem pela Igreja nem pelo magistrado civil; para a dissolução do matrimônio é necessário haver um processo público e regular, não se devendo deixar ao arbítrio e discreção das partes o decidirem seu próprio caso.
Ref. Mat. 19:6-8
6  De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.
7  Replicaram-lhe: Por que mandou, então, Moisés dar carta de divórcio e repudiar?
8  Respondeu-lhes Jesus: Por causa da dureza do vosso coração é que Moisés vos permitiu repudiar vossa mulher; entretanto, não foi assim desde o princípio.

I Cor. 7:15

Mas, se o descrente quiser apartar-se, que se aparte; em tais casos, não fica sujeito à servidão nem o irmão, nem a irmã; Deus vos tem chamado à paz.


Deut. 24:1-4

1 Se um homem tomar uma mulher e se casar com ela, e se ela não for agradável aos seus olhos, por ter ele achado coisa indecente nela, e se ele lhe lavrar um termo de divórcio, e lho der na mão, e a despedir de casa;
2  e se ela, saindo da sua casa, for e se casar com outro homem;
3  e se este a aborrecer, e lhe lavrar termo de divórcio, e lho der na mão, e a despedir da sua casa ou se este último homem, que a tomou para si por mulher, vier a morrer,
4  então, seu primeiro marido, que a despediu, não poderá tornar a desposá-la para que seja sua mulher, depois que foi contaminada, pois é abominação perante o SENHOR; assim, não farás pecar a terra que o SENHOR, teu Deus, te dá por herança.


Esdras 10:3.

Agora, pois, façamos aliança com o nosso Deus, de que despediremos todas as mulheres e os seus filhos, segundo o conselho do Senhor e o dos que tremem ao mandado do nosso Deus; e faça-se segundo a Lei.

Creio que, verificando os textos bíblicos, constata-se a posição fiel das declarações acima, de que apenas a traição ou a deserção obstinada do incrédulo justifica o divórcio e o novo casamento por parte do cônjuge fiel. Por deserção obstinada, entende-se que seja quando, mesmo não havendo adultério e apesar do crente fazer todo o possível e aceitável diante de Deus pela união, ainda assim o outro decide ir embora. Em outros casos, ainda que possa se dar a separação por parte do cristão, não há a permissão para um novo casamento, pois diante de Deus, apesar de, por questões diversas, haja impossibilidade de viverem juntos, eles ainda são casados e tem compromisso de fidelidade que os reconduza ao perdão e à vida em comum, sabendo que durante o tempo em que estiverem separados ficam mais expostos à tentação de uma terceira pessoa, e, neste caso, Jesus chama a nova união de ADULTÉRIO!
O grande engano de muitas famílias é que já nascem condenadas, pois os cônjuges não crêem que ficarão juntos “até que a morte os separe”; infelizmente, o divórcio deixou de ser a última opção e passou a ser a fuga de qualquer desconforto, selando a incompatibilidade dos egos.
Nunca é demasiado dizer que embora o Senhor permita (não ordena) o divórcio para os casos mencionados acima, Deus, o criador da família, detesta o divórcio:

Porque o SENHOR, Deus de Israel, diz que odeia o repúdio e também aquele que cobre de violência as suas vestes, diz o SENHOR dos Exércitos; portanto, cuidai de vós mesmos e não sejais infiéis. Malaquias 2.15
   
Contudo, esta orientação nem sempre é bem acolhida, pois, tal como no casamento misto, os sentimentos costumam falar mais alto do que a Palavra de Deus, e os exemplos que “deram certo” parecem justificar a iniciativa. Entretanto, sejamos honestos em reconhecer que nem tudo o que “dá certo” é “certo de fato”!
Todavia, em nossa sociedade tão imoral e prejudicial às famílias, é comum alguém se converter já com a vida familiar toda perturbada, numa seqüência de casamentos infelizes, divórcios precipitados e novas e ainda mais rápidas uniões, e a criação dos filhos desses casamentos. Isto só é compreensível por haver acontecido antes da pessoa ter conhecido a Cristo, e dado à impossibilidade de consertar o passado, só resta arrepender-se dos adultérios cometidos, assumir as responsabilidades como pai e a partir de então ser fiel e amoroso com a atual companheira dando o exemplo de que:
...se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.  Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação.” 2 Coríntios 5:17-19

Falando em reconciliação, lembremo-nos do que ocorreu com Raabe a prostituta:
Hebreus 11:31  Pela fé, Raabe, a meretriz, não foi destruída com os desobedientes, porque acolheu com paz aos espias.
Mateus 1:5,6a  Salmom gerou de Raabe a Boaz; este, de Rute, gerou a Obede; e Obede, a Jessé;  Jessé gerou ao rei Davi;

No entanto, aquele que já conhece ao Senhor, conquanto seja também um pecador, não pode praticar aquilo que sabe ser condenado pelo Senhor, e se já fez isto, ainda que, sendo salvo, não perde a salvação, fique ciente de seu pecado e das tristes conseqüências que, nesta vida, acompanham semelhante decisão, restando-lhe apenas suplicar o perdão e a misericórdia de Deus.
Cara irmã, tenha bem definido em sua mente que começar uma união com alguém que já fracassou uma vez como marido, ou que diante de Deus ainda pertence a outra pessoa é o prenúncio de um grande desgosto. Sabemos que Deus é poderoso e misericordioso para até mesmo consertar nossas tolices, mas casar-se desse modo é como uma pessoa pular do alto do templo esperando que os anjos a protejam, atitude esta que é chamada por Jesus de “tentar a Deus”!(Conf. Mt .4. 5-7) Não faça isto!
Embora com o passar do tempo o coração solteiro se angustie, é sábio não dá-lo a alguém sem a certeza da bênção de Deus; confie no amor divino!
Que Deus a abençoe!
Pr. Sandro Márcio

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